Público - 19 Out 06
Há contactos com a DGS
Aborto: Clínica dos
Arcos vai abrir instalações em Lisboa já em 2007
A Clínica dos Arcos, que nos últimos 12 meses
recebeu nas suas instalações, em Espanha, quatro mil
portuguesas que queriam interromper a sua gravidez,
vai abrir instalações no centro de Lisboa durante o
primeiro trimestre de 2007.
A garantia foi dada ao
PUBLICO.PT pela directora da clínica, Yolanda
Hernandez, que assegura que já estabeleceu contactos
com a Direcção-Geral de Saúde (DGS) portuguesa, com
alguns partidos políticos e com organizações de
mulheres.
A directora adiantou ainda que a clínica - que será
composta por pessoal médico português - irá abrir,
"independentemente" do resultado do referendo em
Portugal, uma vez que iniciou os contactos para a
abertura do estabelecimento de saúde mesmo antes de
saber da convocação de um novo referendo.
Em toda a Espanha existem cerca de 120 clínicas com
a mesma acreditação especial do Ministério espanhol
da Saúde para a prática da interrupção da gravidez.
Contactada pela agência Lusa, a Direcção-Geral de
Saúde confirmou que tem sido contactada por unidades
médicas estrangeiras especializadas na interrupção
voluntária da gravidez que visam a construção de
clínicas privadas em Portugal.
"Desde o final do ano passado, a DGS tem sido
contactada por unidades médicas estrangeiras
especializadas na IVG para a criação de clínicas
privadas", disse o director-geral de Saúde,
Francisco George.
De acordo com a mesma fonte, essas unidades
estrangeiras têm contactado os serviços da DGS no
sentido de conhecer o quadro legal em vigor no país
com vista ao licenciamento de unidades privadas de
saúde com internamento ou sala de recobro.
Francisco George lembra que a lei portuguesa já
permite a interrupção da gravidez quando a vida da
mãe está em perigo, em caso de má formação do feto
ou em caso de violação.
O Parlamento vai aprovar hoje a proposta socialista
de realização de um segundo referendo sobre a
despenalização do aborto em Portugal, que
questionará os portugueses sobre se concordam com a
interrupção até às dez semanas.