Jornal das
Caldas.com
- 31 Out 07
Conferência nas Caldas
Taxa
de natalidade é a mais baixa de sempre
Federação do PS de Leiria preocupada com o
envelhecimento da sociedade - Há que criar condições
e incentivos para o aumento da natalidade.
Há
que criar condições e incentivos para o aumento da
natalidade, disse o presidente da Federação
Distrital do PS, João Paulo Pedrosa, no debate que
decorreu no passado dia 26, no auditório da Câmara
Municipal das Caldas da Rainha, no âmbito das
conferências que a federação distrital do PS está a
realizar sob o lema Portugal precisa de mais bebés.
Como ajudar as famílias a tratar deles?.
É
para ajudar a contrariar a agonia em termos de
natalidade que a distrital socialista está a trazer
ao distrito especialistas para debaterem a
natalidade. Com esta iniciativa João Paulo Pedrosa
pretende colocar a população a dar ideias para
tornar mais fácil a vida de quem tem ou quer ter
mais filhos. No final de todas as conferências o
socialista garante a elaboração de uma Carta de
Compromisso , que os autarcas do PS irão apresentar
ao Governo, no sentido de melhorar a vida das
famílias com filhos.
Ana
Cid, economista e secretaria-geral da Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), foi a
especialista convidada para debater nas Caldas a
baixa natalidade no país. Cerca de 30 pessoas
ouviram a economista, que revelou que no ano passado
nasceram em Portugal 105.351 bebés, menos 4.106 do
que em 2005. As mulheres têm agora menos filhos e
mais tarde, apontou, acrescentando que só 5,2 por
cento das famílias portuguesas tem 3 ou mais filhos
e 32% tem um filho.
Segundo esta especialista, o Instituto Nacional de
Estatística estima que, nos próximos 25 anos, o País
tenha perdido um quarto da sua população, passando
para 7,5 milhões de pessoas. De acordo com os
resultados das Projecções da População Residente em
Portugal entre 2000-2050, o organismo prevê que o
número de idosos poderá ultrapassar o dobro do
número de crianças e jovens.
Ana
Cid revelou ainda que desde 1987 a taxa de
natalidade tem vindo a diminuir. As principais
razões apontadas para este decréscimo são o declínio
da fertilidade e o adiamento da maternidade,
factores a que não ficam alheias as condicionantes
económicas.
As
consequências mais visíveis da baixa natalidade são,
de acordo com a economista, desertificação, fecho de
escolas e maternidades e envelhecimento da
população. Segundo o elemento da APFN, por muito que
seja necessário inverter este cenário do
envelhecimento e da desertificação, é preciso antes
de mais, criar condições de vida mais favoráveis ao
desenvolvimento da sociedade. Hoje, feitas as contas
àquilo que um português recebe em média por mês, se
retirarmos o valor pago em impostos provavelmente
vamos chegar à conclusão que não nos podemos
aventurar muito, porque o dinheiro não chega para
tudo, nem para as despesas essenciais, sublinhou.
De
acordo com Ana Cid, os portugueses querem ter
filhos, mas não os têm porque o Estado não favorece
os casais com mais filhos, ao contrário penaliza.
Esta especialista apelou a todas as autarquias a
baixarem o preço da água para as famílias que têm
três ou mais filhos. É uma questão de justiça,
frisou.
Na
conferência, João Paulo Pedrosa entregou folhetos
informativos nos quais se pode ler que Portugal é o
país europeu com a mais baixa taxa de natalidade.
Os
panfletos defendem que, apesar das medidas do actual
Governo PS, são ainda razões de ordem económica,
financeira e de organização da vida social que
condicionam as famílias a não terem mais filhos.
Para
inverter esta situação, os socialistas de Leiria
revelam serem necessários mais de 165 bebés por dia
para garantir o aumento da natalidade necessária
para inverter a situação. Sem pelo menos, dois
filhos por mulher, a solidariedade geracional e a
sociedade de bem-estar social, está definitivamente
em causa, revelou João Paulo Pedrosa, acrescentando
que o distrito de Leiria infelizmente também
acompanha esta realidade.
Defendendo que o actual Governo tem vindo a tomar um
conjunto de medidas que favorecem as famílias com
filhos, designadamente, aumento do tempo de licença
de maternidade, aumento das prestações do abono de
família, incluindo apoio pré-natal, um reforço de
50% da rede nacional de creches até 2009 no âmbito
do programa PARES e adopção de horários nas escolas
em função do tempo de trabalho dos pais, o
presidente da Federação Distrital do PS disse que é
preciso ir ainda mais além. Paulo Pedrosa entende
que a atribuição de um apoio substancial ao
nascimento, como o estão a fazer a Espanha e a
Alemanha, é muito mais eficaz do que colocar a
tónica apenas no aumento da prestação do abono de
família.
Em
Óbidos a natalidade será debatida no dia 17 de
Novembro, pelas 16h00, na Casa da Música.