Diário de Notícias -
01 Out
08
Explicações não tenho, facto tenho um
Ferreira Fernandes
Atiro, um agente da PSP matou a mulher e uma agente
da PSP matou o marido. Pontos comuns: a PSP e a
relação conjugal entre quem mata e morre. Dá para
construir teses. Como a polícia segrega violência...
Como os laços de família são caldo de explosões
assassinas... Mas talvez a melhor das explicações
seja um facto prosaico. Também a América nos
habituou a sucessivos massacres feitos por
estudantes na sua própria escola. Esse é outro tema
de teses: não repousa a sociedade americana na
violência? Também a Finlândia se revelou fã do
gatilho fácil nas escolas. A Finlândia é que já não
dá para teses fáceis. Mas ficou foi a saber-se que
ela é com os EUA um dos três países (o outro é o
Iémen) com mais armas por habitante. E é esse o
facto prosaico a que aludi acima. Todos os exemplos
de violência de que falo nesta crónica têm um factor
comum: quem atirou tem pistola fácil. Não é grande
tese, não dá para conclusões morais, mas é um facto.
E os factos têm muita força.