30 de Setembro de 2000 - Comunicado da APFN

Chuvas de Setembro destroiem promessas de Verão

Foi com grande admiração e desilusão que a APFN tomou conhecimento que as propostas do PSD incluídas no pacote "Via Verde para a Família" foram liminarmente rejeitadas pelo actual responsável governamental da política de família, considerando-as "Inoportunas, incoerentes e desarticuladas" e que "a serem aprovados iriam desvirtuar a política de família".

A APFN recomenda que este governante releia a Resolução do Conselho de Ministros 7/99 de 9 de Fevereiro a fim de confrontar as suas ideias com que lá foi defenido como sendo a política de família do governo e, caso não concorde, que se demita ou que proponha e publique qual é a actual política de família.

A proposta do PSD tem imensos pontos de convergência com a referida Resolução do Conselho de Ministros, nomeadamente a criação do "cartão de família". Como é que é possível esse governante pôr essa medida em causa?

A APFN apela ao Primeiro Ministro que defina o que é "família", e qual é a "política familiar do governo". Apela ainda que informe o país quais as promessas feitas na primeira quinzena de Julho de apoio às famílias numerosas que, uma vez terminado o Verão, ainda se mantêm em vigor.

A APFN deseja ainda que seja explicado porque motivo foi extinto o Alto-Comissariado da Família quando, na referida Resolução do Conselho de Ministros, seria esse Alto-Comissariado responsável por articular a política de família do governo, aí detalhada, e deveria apresentar no prazo de dois anos (no dia 7 de Fevereiro de 2001, portanto) um relatório sobre o que teria sido feito.

Em concreto, a APFN solicita que o governo, na pessoa do primeiro ministro, defina o que entende por família, o que parece não ser do conhecimento do referido governante.

A APFN, como a esmagadoa maioria do povo português, não tem quaisquer dúvidas em afirmar que as disfunções sociais bem presentes na sociedade portuguesa são fruto da degradação que se tem assistido nas famílias portuguesas, degradação essa que nunca poderá ser combatida eficazmente enquanto perdurarem dúvidas no governo sobre o que é família e qual deve ser a política familiar.

A resposta a estas questões é de fundamental importância para o povo português avaliar o nível de confiança que pode depositar no governo.

Fernando Castro

Presidente da Direcção da APFN 

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