Ecclesia -
17 Set 07
Estado limita liberdade de educação
A liberdade na escolha da escola e da educação por
parte dos responsáveis da educação foi o tema que
reuniu diversas personalidades no Simpósio
Internacional organizado pela fundação Pró Dignitate,
intitulado "A escolha da escola face à justiça
social: dilema ou miragem".
O evento reuniu especialistas de vários países, o
secretário-geral da Associação Europeia de Pais e
vários outros agentes de educação. Foi também
apresentado um relatório sobre as liberdades
educativas. Apresentado pelo presidente da OIDEL -
Organização Direito à Educação e Liberdade de
Ensino, Alfred Fernandez, os resultados tiveram em
conta vários factores: se as leis do país permitem a
criação de escolas por parte da sociedade civil, se
há obrigatoriedade de financiamento público a estas
escolas, qual o montante deste financiamento, se há
possibilidade de os pais escolherem a escola no
sistema público e se é permitido o ensino em casa.
O relatório aponta que os países que mais favorecem
a liberdade educativa encontram-se na Europa e na
América do Norte, destacando contudo outros estados,
como Chile, Israel, Filipinas, Argentina e Paraguai.
A Dinamarca lidera os resultados. Portugal
encontra-se em 25º lugar no ranking.
Dados como este foram discutidos no Fórum com o
objectivo de reflectir em conjunto sobre vários
temas relacionados com a matéria educativa e
partilhar experiências positivas e boas práticas que
permitam melhorar as condições das crianças no
ensino em Portugal e no mundo.
Maria João Boléo, membro do Conselho de
Administração da Pro Dignitate explica à Agência
ECCLESIA que apesar do sucesso do encontro "os
objectivos não podem se abandonados. Quanto mais
este tema for abordado e os pais estiverem alertas
para esta questão, mais rapidamente terá
encaminhamento necessário".
"Esta é uma questão longe de estar resolvida",
garante. Muito lentamente se vêem avanços. No Norte
da Europa, "entende-se a liberdade sem limitações
económicas", não aceitando que apenas os pais com
dinheiro possam ter essa escolha, pois trata-se de
uma opção "apenas de ricos".
A mensalidade é muito cara e não há comparticipação
estatal, aponta Maria João Boléo. "Poucos são os
colégios com contrato de associação em Portugal", e
o contrato só acontece quando a escola é "supelativa
do ensino público". Estes contratos traduzem-se "na
única experiência positiva que temos". O restante
quadro, afirma, é de "limitação, descriminação face
às crianças mais pobres porque os seus pais não têm
capacidade económica para pagar um escola privada".
Em representação do Ministério da Educação esteve o
secretário de Estado, Jorge Pereira, "que não deu
novidades, mas referiu a possibilidade de uma maior
participação dos pais na escolas portuguesas",
através das associações de pais.
Foi recentemente anunciado que as escolas terão um
contrato especial de autonomia, "que é muito
importante mesmo na escola pública", garante.
A questão do «cheque escolar» foi outro assunto
abordado. A membro do Conselho de Administração da
Pro Dignitate explica que os pais "têm direito a
verba que o Estado despende por cada criança e esta
poderia ser dedutível na propina escolar". A quantia
de comparticipação quer no ensino público como
privado "deveria ser igual, e os pais pagariam o
excedente", explica.
A maior preocupação "é com as crianças mais
desfavorecidas, pois estão envolvidas num ambiente
desfavorável e não se consegue quebrar o ciclo",
explica. Os ricos "acabam por se governar, os pobres
é que não têm forma de ajuda", refere Maria João
Boléo.