Correio da Manhã
- 20 Set 07
Estudo dos fundos de pensões
Reformas baixam de novo
Miguel Alexandre Ganhão / Janete Frazão
As pensões de reforma têm de diminuir
substancialmente durante os próximos anos. A
conclusão é de um estudo realizado pela Associação
Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e
Patrimónios (APFIPP), que considera que as novas
regras da Segurança Social (que entraram em vigor no
dia 1 de Junho) não asseguram a sustentabilidade do
sistema de previdência a longo prazo.
Os responsáveis da APFIPP consideram que o Executivo
terá de descer o valor das reformas já em 2009 para
permitir o equilíbrio financeiro do sistema. Segundo
o estudo ontem revelado, as alterações aos cálculos
das reformas efectuadas ao longo dos últimos vinte
anos fizeram com que a taxa de substituição do
salário por reforma caísse dos 81 por cento, em
1987, para os 44 por cento, em 2008.
A APFIPP defende que a solução para a o futuro da
Segurança Social passa pela adopção de um sistema
misto (repartição e capitalização) assente em três
pilares: o primeiro (que seria integralmente
suportado pelo Estado) garantia uma pensão até dois
salários mínimos. O segundo, entre dois e dez
salários mínimos, onde 50 por cento das
contribuições seria entregue ao Estado e a outra
metade (de contribuição obrigatória) aos privados.
Neste segundo pilar a grande novidade é a criação
pelo Estado de “contas nacionais” em nome dos
cidadãos, para que estes saibam onde está o seu
dinheiro. Trata-se de um sistema já utilizado em
vários países europeus.
O terceiro pilar, para remunerações acima dos dez
salários mínimos, seria constituído por um sistema
facultativo, com uma poupança voluntária incentivada
por benefícios fiscais.
O estudo da APFIPP foi realizado em colaboração com
a equipa de Carlos Pereira da Silva, presidente do
Centro de Investigação sobre Economia Financeira do
Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
SIMULADOR DE PENSÕES NA NET EM 2008
O primeiro-ministro anunciou ontem – no âmbito de
uma visita à sede do Instituto de Informática da
Segurança Social, no Tagus Park, Oeiras – que a
partir de Janeiro de 2008 os cidadãos vão poder
calcular as pensões que irão auferir no futuro com
base no histórico das respectivas contribuições,
desde 1980, e numa estimativa das remunerações
futuras.
“Temos uma Segurança Social credível, com
sustentação, moderna e transparente”, considerou
José Sócrates sobre um sistema de simulação que não
é novo a nível nacional, dado que tem vindo a ser
implementado por várias instituições bancárias
privadas desde há um ano.
VIEIRA DA SILVA DESDRAMATIZA
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social,
Vieira da Silva, disse ao CM, em reacção ao estudo
ontem apresentado pela Associação Portuguesa de
Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, que
pode “garantir que em 2009 não haverá necessidade de
remexer” no sistema da Segurança Social.
“A reforma é apontada por vários estudos,
nomeadamente da OCDE, como estrutural”, sublinhou
Vieira da Silva, desdramatizando as conclusões da
APFIPP. “Essa é uma discussão interminável. Em todos
os momentos haverá vozes a dizer que a reforma não é
sustentável. Aceito isso, faz parte das regras”,
concluiu.