Portugal Diário -
11 Set
08
Criminalidade vai agravar-se e «veio para ficar»
Morgado explica que temos criminalidade «massiva»
e «rápida» e assume que nova lei penal não veio
ajudar
A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado
defendeu, esta quinta-feira, em entrevista à RTP que
a criminalidade violenta tem tendência a
«agudizar-se». A magistrada, responsável pelo
Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP),
considerou ainda que a criminalidade está a
aumentar, caracterizando-a como «massiva» e «rápida»
e criticou a nova lei penal por transmitir uma
«mensagem de brandura para quem pratica crimes».
No programa «Grande Entrevista», da RTP, Morgado
explicou que a «onda de criminalidade» registada
este Verão já era previsível, uma vez que já existia
e que essa mesma tendência estava identificada pelas
autoridades. «É uma criminalidade que atravessa o
país com grande velocidade.(...) Está cá, está a
crescer, veio para ficar e é para ser combatida».
Afirmando que não existem «varinhas mágicas», a
responsável salientou que o «sistema não falhou
apenas num ponto». O combate tem de ser de «todos»,
considerando que é necessário haver «ambição de
resultados». «Se trabalharmos só para ganhar o
ordenado, estamos perdidos». Quanto ao papel do
Ministério Público, a magistrada assume que é
preciso «abolir a investigação de rabo sentado» e
que existem decisões judiciais menos boas, no
entanto, sem «má fé».
«Pratos da balança desequilibrados»
Maria José Morgado recusou assumir directamente que
as alterações ao Código Penal e Processual Penal, em
vigor há cerca de um ano e efectuadas pelo governo
de Sócrates, fossem a causa do aumento da
criminalidade. No entanto, a magistrada afirmou que
quando se libertam «imediatamente presos
reincidentes», o Estado está a dar um «sinal de
brandura». «Os gangs tem de ser controlados (...) o
direito de punir não pode ser desvalorizado».
«Uma lei mais benévola e uma mensagem de brandura é
indesejável para a criminalidade violenta», frisou,
acrescentando que «o sistema penal tem de ser
dissuasor e só o é se culpar os autores dos crimes
rapidamente e proteger os inocentes».
Ainda em relação a nova lei penal, a responsável do
DIAP disse que as alterações vieram «criar
desequilíbrios que não existiam», defendendo que as
«garantias de defesa» dos suspeitos «pesam mais» no
novo Código Processual Penal «do que a eficácia da
investigação criminal». Morgado explica que a nova
lei trouxe mais burocracia e que um interrogatório
transformou-se num «mini-julgamento».
«É preciso que a lei não estorve, neste caso, não
tem sido uma grande ajuda», disse.