Diário de Notícias -
16 Set
08
Contratos limitam licenças de maternidade
Ana Bela Ferreira
Função pública. Professora obrigada a abdicar de
licença para concorrer
CDS/PP quer ministro das Finanças no Parlamento para
explicar lei
Joana (nome fictício) é mãe de um bebé de dois meses
e não vai poder gozar a sua licença de maternidade
até ao fim. Tudo porque é professora contratada e
segundo uma circular do Ministério das Finanças e da
Administração Pública, aprovada em Fevereiro, para
poder candidatar-se este ano tem de renunciar à
licença ou arrisca-se a ficar cinco anos de fora dos
concursos. "Fui informada na escola que as minhas
opções são: renuncio à licença de maternidade e
aceito a colocação ou renuncio à colocação com todas
as penalizações que isso acarreta", denuncia.
O relato desta professora contratada há oito anos
foi enviado ao grupo parlamentar do CDS/PP, antes do
final de Agosto. Entretanto, os populares já
receberam outras queixas semelhantes. Amanhã o grupo
parlamentar entrega na comissão do trabalho e
administração pública um requerimento para pedir a
presença do ministro das Finanças, Teixeira dos
Santos, na comissão para explicar o teor da
circular.
"É uma decisão aberrante que uma trabalhadora da
função pública tenha que interromper a licença de
maternidade para se poder candidatar e que perca o
gozo de um direito que é seu", critica o deputado do
CDS/PP, Pedro Mota Soares. O Governo já foi
questionado sobre esta situação, mas preferiu
manter-se em silêncio, segundo o deputado.
A circular indica que "o pagamento da remuneração
durante a totalidade do período de licença por
maternidade não impede o termo dos respectivos
contratos". Ou seja, a circular implica que as
mulheres que estejam em licença de parto nos meses
próximo do final do contrato tenham que abdicar
desse período para se poderem candidatar a um novo
contrato. "É o pior exemplo que se pode dar depois
dos apelos à natalidade", acusa Pedro Mota Soares.