Diário de Notícias -
24 Set
08
Derrapagem fiscal atinge os 595 milhões de euros
Rudolfo Rebêlo
Execução. Cofres estatais perdem 707 milhões só
relativos ao IVA
A receita fiscal está em derrapagem. Nos primeiros
oito meses do ano faltam nos cofres fiscais pelo
menos 595 milhões de euros e só adiamentos de
despesas e excedentes com a Segurança Social -
aumento de contribuições e "cortes" no subsídio de
desemprego - seguram o défice orçamental entre os
2,2% e os 2,5% do PIB.
Em impostos indirectos, mais sensíveis ao andamento
da economia, o Estado já perdeu 707,3 milhões de
euros, entre Janeiro e Agosto. Em IVA, "faltavam"
304 milhões de euros, justificados pelo abrandamento
da procura interna - consumo e investimento - já que
a descida do imposto de 21% para 20% ainda não teve
impacte significativo na receita. Em contrapartida,
os impostos directos - destaque para o IRC, o
imposto sobre os lucros - excedeu as estimativas em
103,8 milhões de euros.
A despesa no sub-sector Estado - por onde se
processa o grosso dos salários dos funcionários
públicos - aumentou 1,7%, apesar dos gastos com os
salários terem caído 0,4%. A despesa está abaixo do
orçamentado - excluindo o pagamento de 466,2 milhões
de euros à REN, para amortização do défice tarifário
- mas ainda assim os gastos com o pessoal excederam
o orçamento em 200 milhões de euros. O Governo
justifica-se com as facturas da ADSE, o sistema de
saúde dos funcionários públicos.
A poupança estatal está a ser gerida com recurso a
adiamentos da despesa, o que explica parte da
poupança de 181 milhões de euros face ao estimado no
Orçamento. Durante os primeiros seis meses, o
governo refreou a entrega de fundos à CGA, alegando
o "excesso de tesouraria" na caixa de reformas dos
funcionários. Em Agosto, acabou a "folga" mas, em
contrapartida, cortou 50 milhões de euros no
pagamento de juros pela manutenção da dívida
pública.
Os investimentos do Estado e transferências para as
câmaras aumentaram 6,7%, excluído o efeito das
transferências para o Instituto das Estradas (agora
financiado com recurso ao Imposto sobre Veículos) .
O acréscimo do investimento está associado a compras
militares.
É a Segurança Social que "salva" o défice. Um
excedente de 1,5 mil milhões de euros, um acréscimo
de 616,6 milhões de euros face a igual período do
ano passado, explicado por um aumento de 7,5% nas
receitas e um crescimento de apenas 2,9% nas
despesas. Nos gastos, o destaque vai para o corte de
126,9 milhões de euros no subsídio de desemprego e
de 20 milhões de euros no subsídio por doença.