Público -
26 Set
08
Crise imobiliária torna a Irlanda no primeiro
país da zona euro a entrar em recessão
Sérgio Aníbal
O Tigre Celta está a passar por dificuldades. Mas em
breve terá a companhia de outros países da zona euro
A Irlanda, conhecida pelo crescimento económico
explosivo das últimas décadas, tornou-se ontem no
primeiro país da zona euro a entrar oficialmente
numa situação de recessão técnica durante a presente
crise.
A entidade responsável pelas estatísticas oficiais
irlandesas apresentou ontem - com atraso em relação
à generalidade dos seus parceiros europeus - os
valores do crescimento económico para o segundo
trimestre deste ano. O resultado foi uma variação em
cadeia do PIB de -0,5 por cento. Uma contracção que
se segue a um outro valor negativo de 0,3 por cento
no primeiro trimestre do ano.
A recessão técnica - definida como dois trimestres
consecutivos de variação negativa do PIB - é
justificada por uma quebra brusca do investimento,
especialmente o relacionado com o sector da
construção.
A Irlanda que, desde os anos 60 até agora, passou de
um dos mais pobres países da União Europeia para um
dos mais ricos, assistiu na última década a uma
explosão dos preços no seu mercado imobiliário. Mas
desde o início do ano passado a tendência começou a
mudar e, com a ajuda da crise financeira
internacional, assiste-se agora a uma quebra
acentuada dos preços e da procura de casas.
A acrescentar às dificuldades está também o facto de
o investimento directo proveniente dos Estados
Unidos - outro dos segredos do sucesso do Tigre
Celta no passado - estar agora a ser afectado pelas
dificuldades económicas que se fazem sentir do outro
lado do Atlântico.
Ainda assim, prevêem os analistas, a Irlanda deverá
vir a ter a consolação de, muito brevemente, deixar
de estar sozinha na categoria de economias da zona
euro em recessão.
Vários outros países registaram no segundo trimestre
deste ano o seu primeiro período de crescimento
negativo que, em alguns casos, se deverá repetir no
terceiro trimestre. Os grandes da zona euro -
Alemanha, França e especialmente Itália -
arriscam-se a não escapar a este destino. A Espanha,
uma economia com problemas semelhantes à Irlanda no
seu sector imobiliário, também está em desaceleração
acentuada e poderá juntar-se ao grupo no final deste
ano. Portugal escapou no segundo trimestre a um
cenário de recessão técnica, garantindo uma ligeira
recuperação do PIB.