Portugal Diário -
27 Set
08
Governo responde ao «Inverno demográfico»
População portuguesa está a diminuir de tal forma
que o número de mortos já superou os nascimentos.
Executivo promete ajudas às famílias
O Governo está «muito preocupado» com a tendência de
declínio da população portuguesa e responde a esse
desafio com políticas activas de apoio às famílias,
garantiu a secretária de Estado Adjunta e da
Reabilitação.
Idália Moniz falava à Lusa à margem de um seminário
promovido pela Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas na Assembleia da República para discutir
respostas aos problemas levantados pelo «Inverno
demográfico».
A partir de 1982, teve início uma tendência de
declínio da população portuguesa, com o número de
filhos por mulher a descer para 2,1 e a deixar de
assegurar a plena substituição das gerações.
Esse número baixou em 1986 para 1,5 filhos por
mulher e manteve-se em 1,4 nos últimos 20 anos, mas
em 2006 passou para 1,36 e atingiu o mínimo
histórico de 1,33 em 2007, ano em que o número de
óbitos foi superior ao de nados vivos.
Situação semelhante na maioria dos países europeus
«A diferença entre o número de filhos que as
famílias têm e o número de filhos que gostariam de
ter dá-nos a indicação de que existem algumas
limitações, e é nesse sentido que o Estado tem que
ser um parceiro activo e ajudar as famílias»,
afirmou.
Para responder a esta situação, comum à generalidade
dos países europeus, Portugal segue as recomendações
da União Europeia no sentido de políticas de apoio
às famílias mais carenciadas e de partilha de
tarefas que permitam às famílias conciliar os tempos
dedicados aos seus dependentes com os necessários à
prossecução das suas actividades profissionais.
Do conjunto de medidas desenvolvidas pelo governo, a
secretária de Estado referiu as majorações do abono
de família, o apoio às famílias monoparentais e o
apoio a partir da 13ª semana de gestação, e
acrescentou que as questões da conciliação da vida
profissional com a vida familiar «estão muito mais
salvaguardadas no âmbito da nova legislação laboral.
Por outro lado, referiu «o reforço da rede de
equipamentos sociais, com quase 20.000 novos lugares
em creche e mais de 400 novas creches».
Sociedade também terá o seu papel
Todavia, para além destes apoios por parte do
Estado, Idália Moniz entende que «é preciso um
grande esforço de toda a sociedade para entender o
que é a família, na sua diversidade, e o que é a
natalidade».
E isso porque, «independentemente dos apoios que
possam existir, a realidade é que a idade para o
primeiro casamento e para se ter o primeiro filho é
cada vez mais elevada, havendo todo um trabalho a
fazer pelos cidadãos para aprofundar os valores da
família, no fundo para dar alguma sustentabilidade
às novas gerações».
No seminário, que contou com a participação de
deputados da Assembleia da República e do Parlamento
Europeu, foi exibido o documentário norte-americano
«Inverno demográfico: o declínio da família humana».