OS
MEUS RAPAZES
Os meus filhos são todos rapazes. O
Tiago Miguel tem 17 irreverentes anos. O Gonçalo Miguel, oito
irrequietos anos. O Bruno Miguel, seis deliciosos anos e o
Duarte Miguel quatro atrevidos anitos. Isso mesmo. Quatro
rapazes.
Entre o primeiro e o segundo perdi
dois (abortos espontâneos). A dor nunca foi esquecida. Dei de
mamar a todos até perder de vista. Ao Bruninho tirei-lhe o leite
no dia que fiz a amniocentese para saber se o Duarte estava bem.
Ficou dezasseis dias sem comer praticamente nada. Emagreceu dois
quilos. Fiquei prostrada. O Duarte teve mais sorte: mamou quase
três anos!
Todos nasceram grandes (entre 3.550
e 4.260 kg), cabeçudos (perímetros cefálicos entre 35 e 37 cm) e
compridos (entre 49,5 e 54 cm). Todos me deixaram mazelas (de 55
kg cheguei aos 106!) e, todos eles, são produto de uma história
irrepetível. Maravilhosa. Quatro histórias de amor.
Tenho a sorte de ter o melhor marido
(q.b.) do mundo. Nunca pensámos ter quatro filhos. E muito menos
três em quatro anos. Todos me chamam mãe-coragem. Em vez disso
considero-me mãe-galinha. Daquelas que andam sempre
terrivelmente cansadas. Mas completamente feliz por ver crescer
três filhos “ainda” debaixo das minhas asas.
Porque o primogénito já não é o
Tiaguinho de outros tempos. Ganhou asas ou quer ganhar...
Actualmente está na idade do armário e, cá em casa, iniciou uma
generation gap com laivos muito semelhantes aos meus quando
tinha a mesma idade. Entre frequentar o ginásio (assiduamente),
entre o navegar na Internet (horas a fio), entre as aulas, as
entradas e as saídas, sinto que já não conheço o meu filho.
E vai ser assim com os outros três.
Resta-me a vontade de ter netas(os) e vê-las(os) crescer e saber
que a história se vai repetir. Só quero acreditar que vou estar
lá. Pesente. Com saúde. Para tornar a contar e reler as mesmas
histórias de encantar, brincar com os mesmos ou outros jogos e
afins, olhar para elas (ou eles) enquanto estão a dormir e
oferecer a minha ajuda nos trabalhos de casa, nas horas da
paparoca ou quando os papás resolverem tirar um fim-de semana só
para eles.
O tempo passa demasiado depressa e
eu, absorvida na minha vida de mãe, filha, nora, amiga,
professora e
maid (agora muito menos), nem reparo que não gozo a
estada deles cá em casa (ainda) da melhor maneira.
Quem tem muitos filhos sabe do que
falo... e sabe o que sinto...