Público -
03 Abr
08
Adoptantes terão que pagar 576 euros para iniciar
processo
PSD vai apresentar iniciativa legislativa contra
custas judiciais na adopção
O PSD vai apresentar uma iniciativa legislativa para
anular a decisão de cobrança de 576 euros de custas
judiciais às pessoas que pretendam iniciar um
processo de adopção.
A deputada Zita Seabra, que anunciou a iniciativa,
considera que a medida "não tem pés nem cabeça",
sublinhando que vai, principalmente, contra "as
crianças que precisam de ser adoptadas".
"Há mais maneiras de o fisco ir buscar dinheiro" aos
contribuintes, defendeu, sublinhando que "essa, o
PSD vai anular".
Zita Seabra acrescentou que os social-democratas vão
apresentar a iniciativa legislativa contra a medida
prevista no novo código das Custas Processuais na
próxima segunda ou terça-feira. O novo código,
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 34/2008, de 26 de
Fevereiro, estabelece que a partir de 1 de Setembro
os processos de adopção deixam de estar isentos de
custas, pelo que os interessados terão de pagar 576
euros.
António José Fialho, juiz de Direito do Tribunal de
Família e Menores do Barreiro, explicou à Lusa que
no caso das adopções, tendo em conta o valor fixado
para o tipo de acção em causa que se situa em 30 mil
euros (o valor da alçada da Relação), os requerentes
terão que pagar uma taxa de justiça correspondente a
seis unidades de conta que este ano correspondem a
576 euros.
Além do PSD, também o Bloco de Esquerda se
manifestou contra a cobrança de custas judiciais na
adopção. "Se o caminho é facilitar e incentivar a
adopção, não se podem colocar este tipo de medidas e
impedimentos e com este valor tão significativo",
sustentou a deputada bloquista Helena Pinto,
reforçando que "as custas no acesso à Justiça
pioraram com este Governo".
"Uma medida destas, quando se fala em adopção, e
quando há milhares de crianças para adoptar, vai em
sentido contrário" ao que se pretende, acrescentou
Helena Pinto.
Também o CDS-PP se insurgiu contra a medida,
considerando que se trata de um "desincentivo" à
adopção. "O Estado que isenta o pagamento de
despesas de quem recorre ao aborto é o mesmo Estado
que impõe a famílias que optam pela adopção o
pagamento de custas", defendeu o deputado Nuno Melo,
salientando que a medida significa "uma diferença
nas políticas de família de todo o tamanho entre a
esquerda e a direita".
O CDS-PP pediu no mês passado a apreciação
parlamentar do código das custas judiciais.
Lusa, PÚBLICO