Diário de Notícias da Madeira.pt
- 22 Abr
08
Famílias numerosas
penalizadas Apoios na educação, transportes e
maternidade são fracos ou nulos
Zélia Castro
À parte algumas
medidas avulsas na área da educação e alterações no
abono de família, as famílias numerosas continuam a
não ter por parte do Estado as contrapartidas
necessárias de apoio para este tipo de agregados. A
opinião partiu de João Correia, membro da delegação
regional da Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas (APFN), que hoje comemora o 9º
aniversário.
João Correia garantiu
ao DIÁRIO que, de há nove anos para cá, a evolução
foi praticamente nula no que diz respeito a apoios a
estas famílias, apesar da natalidade, ao nível do
país, apresentar números preocupantes. Em termos
fiscais, o responsável defendeu que, nesse aspecto,
"nada evoluiu" nos últimos anos.
Na educação, João
Correia destaca algumas "medidas avulsas" que foram
tomadas e que, até certo ponto, aliviam estes
agregados familiares. A ajuda na aquisição de
materiais escolares e até as mudanças no abono de
família podem ser apontadas como as medidas mais
significativas até ao momento.
Quanto questionado
acerca da necessidade de se estabelecer uma maior
ligação entre autarquias e empresas com a APFN, João
Correia sublinhou que as empresas não podem ser
obrigadas a dar apoio se não houver legislação nesse
sentido. "Tem de haver contrapartidas porque ninguém
quer perder dinheiro", apontou.
"As famílias
numerosas continuam a ser muito penalizadas em
termos da sua sustentabilidade", alertou, apontado
que o Estado apoia muito mal estas famílias, mesmo
tendo presente que a questão da natalidade nos
tempos que correm encontra-se numa fase "preocupante".
João Correia defende
que o Estado deveria "rever" o problema da
penalização fiscal das famílias numerosas e garantiu
que, na área da Educação, se verificam "muitas
injustiças nos apoios".
"Não há qualquer
actuação positiva no que diz respeito às famílias
numerosas, a não ser uma alteração no abono de
família mas que não é significativa", atirou,
acrescentando que não existem benefícios no que diz
respeito aos transportes e serviços públicos e muito
menos no apoio à maternidade.
A delegação regional
da APFN conta, neste momento, com 80 sócios.
Contudo, João Correia acredita que existem muitas
mais famílias numerosas na Região.
Importância da APFN
"começa a ser cada vez mais reconhecida"
A Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) considera
que a sua importância começa a ser cada vez mais
reconhecida, principalmente no que diz respeito a
apoios por parte de empresas e autarquias. Segundo
informação divulgada ontem em jornais nacionais, a
secretária-geral da APFN, Ana Cid Gonçalves,
referiu, contudo, que ao fim de nove anos de luta
ainda persiste o problema da penalização a famílias
numerosas.
A responsável
destacou também o número crescente de famílias
numerosas que se inscrevem diariamente e que, em
breve, vão ultrapassar os sete mil sócios. Ana Cid
Gonçalves referiu ainda que o problema actual "não
está na falta de ajuda, mas sim nas penalizações a
nível fiscal e de abono de família", que dificultam
a escolha dos casais em ter mais de dois filhos. A
APFN aponta que o número de filhos desejados por
casais é 2,1, enquanto que os dados mais recentes
indicam uma média de 1,3 filhos por casal.