Zenit - 22 Abr
08
Aborto é primeira causa de mortalidade na Europa
Por Nieves San Martín
Fides publica o dossiê «A crise da família na
Europa»
A agência da Congregação vaticana para a
Evangelização dos Povos, «Fides», (www.fides.org),
publicou um dossier intitulado «A crise da família
na Europa» no qual reúne dados sobre a diminuição da
população do velho continente e os graves problemas
que ameaçam à instituição familiar, entre eles o
aborto.
No dossier são enfrentados os seguintes temas: «A
população europeia»; «O envelhecimento»; «A
natalidade»; «O aborto»; «A idade da maternidade»;
«Os custos sociais»; «A pobreza das famílias»; «A
pobreza das crianças»; «A destruição da instituição
matrimonial»; «A adopção de menores para os
solteiros»; «A família cristã».
Sobre o tema da população europeia, o dossier
recolhe dados da Rede Europeia do Instituto de
Política Familiar (IPF), dos quais emerge um
crescimento lento da população europeia, ainda que
maior nos anos 2002-2007, em relação aos cinco anos
precedentes (Cf. Zenit, 10 de janeiro de 2008).
Entre 1994 e 2006 a população europeia cresceu em 19
milhões de pessoas. 80% do crescimento da população
durante esse período foi pela presença de quinze
milhões de imigrantes, não pelo crescimento natural,
que permaneceu estável (ao redor de 310.000 pessoas
por ano), muito inferior aos Estados Unidos, onde o
crescimento da população é 12 vezes superior à
Europa.
A relação calcula que a partir de 2025 a Europa
começará lentamente a despovoar-se, enquanto que os
Estados Unidos continuarão crescendo.
Em relação ao envelhecimento, o dossier afirma que
na Europa há mais pessoas idosas do que crianças. A
população com menos de 14 anos representa apenas
16,2% do total da população (80 milhões de pessoas
na EU em 27 países). O aumento de mais de 18 milhões
de pessoas idosas, em 25 anos, é de 29%.
Sobre a natalidade o dossier adverte que na Europa
nascem cada vez menos crianças: em 2006, houve
apenas 5,1 milhões de nascimentos. A situação está
estável de 1995 a 2006, com um aumento entre 2005 e
2006 de apenas de 1,1%.
Sobre o tema do aborto, o dossier afirma que a cada
25 segundos se realiza um aborto na Europa em 27
países, onde cada dia se fecham três escolas por
falta de crianças.
A Espanha é o país onde mais aumentou o número de
abortos nos últimos dez anos, com um aumento de 75%,
seguido pela Bélgica, com 50% e Holanda, com 45%.
O aborto é a primeira causa de mortalidade na Europa
e fez mais vítimas que as enfermidades
cardiovasculares, os acidentes de trânsito, droga,
álcool e suicídios. Desta forma, o número de abortos
é superior ao número de mortes por enfermidades.
Sobre a idade da maternidade, o dossier afirma que a
idade média da maternidade na Europa se atrasou
quase até os 30 anos. As mulheres espanholas são
aquelas que têm filos mais tarde (30,8 anos),
seguida por aquelas da Irlanda (30,6), Holanda
(30,4) e Dinamarca (30,1). Em todos os países da
Europa ocidental se comercializa a pílula RU486, que
tornou-se o mais formidável sistema de controle de
nascimentos.
Em relação aos gastos sociais, o dossier adverte que
27% do PIB que em proporção a Europa destina aos
gastos sociais, só 2,1% favorece as políticas
familiares, que não são consideradas uma prioridade.
A Europa destina menos de um euro à família em
relação aos 13 euros destinados aos gastos sociais.
No que se refere à pobreza nas famílias o dossier
indica que a incidência da pobreza subjectiva
geralmente é maior nos países mediterrâneos, menos
naqueles nórdicos. A percentagem de famílias que
percebem um estado de mal estar é muito mais elevado
na Grécia (76%) e na Espanha (60%), muito elevado se
comparado com Suíça, Dinamarca e Finlândia, onde a
cota de famílias subjectivamente pobres está entre
11 e 16% ou na Noruega e Luxemburgo, onde é ainda
mais baixa.
Sobre a pobreza das crianças, o dossier indica que
há 97,5 milhões de crianças da União Europeia entre
0 e 17 anos, e destes, 19 milhões estão em risco de
pobreza.
A media europeia de pobreza infantil está em torno a
19%. De cada quatro crianças, na Itália, há uma que
corre o risco de viver sob o limiar da pobreza. O
mesmo sucede nos novos estados membros, como
Lituânia, Hungria, Roménia, Letónia e Polónia. Na
Alemanha, o índice de pobreza infantil é de 12%, na
França de 13%, na Holanda 14%, na Dinamarca de 10%,
na Espanha e no Reino Unido é de 24%.
Sobre a violência doméstica, o dossier afirma que,
no âmbito mundial, é a primeira causa de morte para
as mulheres entre os 16 e 44 anos. Mata mais o
marido, o noivo ou o amante, e às vezes também os
filhos, que o câncer, os acidentes de trânsito ou as
guerras. Na Europa, os delitos cometidos contra as
mulheres na família tocam a 5,84 mulheres sobre um
milhão, segundo uma recente investigação espanhola.
Enquanto à destruição da família, o dossier afirma
que, em 25 anos (1980-2005), o número de matrimónios
na Europa diminuiu em 692.000, com uma perda de
22,3%, com uma queda da taxa nupcial, que passou de
6,75 em 1980 a 4,88 em 2005, apesar de que a
população tenha passado de mais de 33 milhões de
pessoas. De cada dois matrimónios que se celebram na
Europa, um acaba em separação.
Em relação à adopção de menores também pelos
solteiros, o dossier afirma que tudo deixa pensar
que no próximo mês de Maio, o Conselho da Europa
aprovará o novo texto da Convenção europeia sobre a
adopção de menores. Se isto acontecer, os solteiros
terão o direito de adoptar uma criança e todos os
Estados europeus deverão modificar suas leis
nacionais para adaptá-las a este princípio.
Sobre a família cristã, o dossier recorda o encontro
de famílias em Madrid denunciando a situação de
indefesa das mesmas.
São necessárias, afirma, «iniciativas políticas para
prevenir os divórcios, conciliar a vida profissional
e familiar, combater a violência doméstica, proteger
a eleição de atender a tempo completo os próprios
filhos até os três anos de idade, reduzir os
impostos sobre os produtos para o cuidado das
crianças». São algumas das indicações contidas na
«Proposta para uma estratégia da União Europeia para
o sustento dos casais e do matrimónio», redigido
pelo secretário da COMECE (Comissão dos Episcopados
da Comunidade Europeia) e apresentado em 5 de
Novembro de 2007 em Bruxelas.
Este dossier está disponível em:
http://www.fides.org/spa/documents/dossier_crisis_familia_290308.doc