melhores médias que
outras
Porque razão os alunos de determinadas escolas têm melhores
médias? Se alguém pensar que este sucesso se deve apenas à qualidade
dos professores, está redondamente enganado. Por detrás está todo um
projecto educativo, com "truques" que podem ser a chave de
tão bons resultados. O DN falou com directores que nos explicam porque
obtiveram as maiores médias.
A directora do Colégio Mira Rio, no Restelo, Lúcia Alves Mendes,
que pela lista do DN conseguiu o 2º melhor posicionamento nacional, e o
1º lugar em Lisboa (em médias no ensino secundário), disse ao nosso
jornal que "a razão está na criação de hábitos de trabalho, de
estudo, de saber pensar. E isto quem faz são a escola e os pais".
Algumas particularidades estão, porém, associadas a este colégio. A
maior parte dos seus alunos frequentam-no desde os três anos de idade e
depois continuam a escolaridade naquele estabelecimento. Mas, a partir
do 1º ano, só aceitam raparigas porque, segundo a directora, "o
rendimento é superior se as raparigas estiverem separadas dos rapazes.
O seu esquema de pensar é diferente".
A criação de "perceptoras" e "monitoras" é
outra das bases do seu funcionamento. "É obrigatório que cada
aluna tenha a sua perceptora, que é docente e estabelece a relação
com os pais. A perceptora está informada sobre tudo o que se refere à
aluna, como estão as coisas a correr", sublinha a responsável. E
neste colégio, onde "toda a gente sabe quem é quem", há
ainda a figura da "monitora", normalmente uma boa aluna que
acompanha em determinadas disciplinas, outras alunas mais fracas".
Uma das tradições do Colégio Mira Rio é a meia-hora livre todas
as manhãs, que serve para o aluno estudar o que quer. "Neste
período as monitoras ajudam as mais "fracas", ou as alunas
escolhem como ocupar estes 30 minutos. Assim gerem o seu tempo".
Um bom relacionamento "e intenso" com os pais é outra das
linhas que o colégio privilegia, assim como a estabilidade do corpo
docente. "Não formamos gente para a universidade, mas para a
sociedade", salienta Lúcia Alves Mendes, frisando que
"incentivamos os alunos a não serem médios, mas a brilharem numa
das áreas, sem cultivar o perfil do "marrão" que põe os
estudos acima de tudo. Queremos que os alunos saiam daqui bons e úteis
cidadãos".
A escola dos Salesianos do Estoril obtém também, tradicionalmente,
bons resultados. Este ano ficaram em 7º lugar a nível nacional e foram
os quartos melhores no distrito de Lisboa. "A nossa pedra basilar
é o espírito positivo", refere, ao DN, o padre David Bernardo,
director pedagógico da Escola Salesiana de Santo António.
Também nos Salesianos a maioria dos alunos entra aos três anos de
idade para a secção infantil e depois prossegue na primária e no 1º
ciclo, sendo o corpo docente "bastante bom e estável".
Para o padre David Bernardo a palavra de ordem da casa é "olhar
para o futuro, pensar que o trabalho dignifica e saber que é bom viver
a vida com qualidade".
"Triste e surpreendida". Foi este o sentimento expresso ao
DN por Ana Maria Menezes, presidente do Conselho Executivo da Escola
Secundária Padre António Martins Oliveira, de Lagoa, uma das que
obteve a 71ª. posição no ranking dos cem estabelecimentos de ensino
do país com piores médias.
Para esta responsável, tal é "chocante", na medida em que
"temos belíssimos professores de carreira, sendo esta a quarta
melhor escola do Algarve a esse nível".
Em seu entender, o sector da hotelaria "vive muito à custa de
estudantes das escolas secundárias", o que provoca uma "desmotivação
muita grande" pelo ensino em Maio ou Junho, devido aos salários
que podem auferir no mercado de trabalho com contratos até finais de
Setembro.
A ideia de "facilitismo" no ensino foi outra das
justificações encontradas por Ana Maria Menezes para a má
classificação daquele estabelecimento, impondo-se agora uma
"reflexão" tendente a "alterar esta situação".
A escola secundária Carolina Michaellis, no Porto, não foi a escola
mais bem posicionada no ranking das cem melhores mas ocupa o 16º lugar
da lista, tendo conseguido bons resultados de aproximação entre a
classificação interna de frequência e a nota de exame.
Para Justiniano Santos, presidente do Conselho Directivo, isto
significa que "há uma correspondência razoável entre a prática
lectiva no que diz respeito aos objectivos e conteúdos, da qual o exame
nacional é um bom aferidor".
"Nesta escola não se pratica inflação de notas", garante
Justiniano Santos, explicando desta forma a ligeira disparidade entre
classificações. Com uma média de disciplinas de 12,6 valores, o
diferencial entre as duas notas é bastante animador.
No extremo oposto, apresentando enormes disparidades entre as notas
de frequência e a nota de exame, na ordem dos 7,4 valores negativos,
encontra-se o Externato Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Uma
diferença abismal à qual o DN não conseguiu obter nenhum comentário
da direcção, que se encontra de férias.
Isolamento penaliza os alunos
Os acessos que servem Pampilhosa da Serra penalizam duplamente os
alunos da única escola com ensino secundário deste concelho do
distrito de Coimbra _ uma das piores classificadas nos exames nacionais
do 12.º ano. O presidente do conselho directivo da Escola Básica
Integrada de Pampilhosa da Serra disse à Lusa discordar das
estatísticas do Ministério da Educação, sustentando que "os
dados são viciados à partida", porque não consideram
especificidades de cada escola. "Temos poucos alunos, se a um exame
forem dois e um obtiver negativa, ficaremos com um resultado de 50 por
cento de chumbos", disse.