ensino
Ana Pago
Depois de conhecidos os resultados da avaliação de todas as escolas
secundárias do País, num estudo publicado ontem pelo DN, as reacções
dos vários partidos não se fizeram esperar.
O tom varia consoante uma orientação ideológica mais voltada para
a esquerda ou para a direita, mas há pelo menos uma posição que é
comum a todos os inquiridos: a publicação dos resultados é um
primeiro passo, que tem no entanto que ter em conta outras variáveis,
se se quiser encontrar soluções para o sistema nacional de ensino
secundário.
"É muito importante que os resultados sejam apropriados por
quem deles entende e o ranking é importante por ser uma base de
trabalhos futuros a este nível", disse ao DN o presidente da
Comissão Parlamentar da Educação, António Braga. O deputado do PS
salientou o facto de a classificação não ser rigorosa e por isso
mesmo dever ter em atenção "outros critérios", como
"as circunstâncias sociais de cada escola e o tipo de professores,
alunos, edifícios e materiais utilizados". Também o porta-voz
social-democrata para a educação, David Justino, considera que a
avaliação feita é "um primeiro passo", a ser "cruzado
com outras variáveis", para "combater a situação gravosa do
ensino secundário". Para o deputado do PSD, "as melhores
escolas são as que melhoram", mesmo estando na cauda do ranking.
"O importante é incentivar docentes e estabelecimentos a
superarem-se a si próprios".
Já Pedro Brandão Rodrigues, membro da Comissão Directiva do CDS/PP,
diz que é "curioso ver como Portugal privilegia o ensino superior
e descura o básico e o tecnológico, quando mais de 50 por cento da
população tem apenas o nível de escolaridade básico ou ainda menos
que isso". Uma solução que considera importante para melhorar o
nível do secundário? Alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º
ano, "favorecendo todos aqueles que enveredarem por um ensino
tecnológico ou profissionalizante". Em nome do PCP falou António
Abreu, membro da Comissão Política do partido. O dirigente comunista
foi ao encontro da posição dos restantes partidos ao sublinhar a
dificuldade de "fazer rankings de escolas em situações muito
diferentes". E rematou dizendo que o ensino deve ser reavaliado
"com rigor e serenidade". Para que "não se acentuem
diferenças" e sejam "canalizados meios reforçados para as
escolas com maiores dificuldades".