Diário de Notícias - 28 de Agosto

Avaliação é primeiro passo mas não chega

PS, PSD, PCP e CDS/PP de acordo: estudo é importante para conhecer estado do ensino

Ana Pago

Depois de conhecidos os resultados da avaliação de todas as escolas secundárias do País, num estudo publicado ontem pelo DN, as reacções dos vários partidos não se fizeram esperar.

O tom varia consoante uma orientação ideológica mais voltada para a esquerda ou para a direita, mas há pelo menos uma posição que é comum a todos os inquiridos: a publicação dos resultados é um primeiro passo, que tem no entanto que ter em conta outras variáveis, se se quiser encontrar soluções para o sistema nacional de ensino secundário.

"É muito importante que os resultados sejam apropriados por quem deles entende e o ranking é importante por ser uma base de trabalhos futuros a este nível", disse ao DN o presidente da Comissão Parlamentar da Educação, António Braga. O deputado do PS salientou o facto de a classificação não ser rigorosa e por isso mesmo dever ter em atenção "outros critérios", como "as circunstâncias sociais de cada escola e o tipo de professores, alunos, edifícios e materiais utilizados". Também o porta-voz social-democrata para a educação, David Justino, considera que a avaliação feita é "um primeiro passo", a ser "cruzado com outras variáveis", para "combater a situação gravosa do ensino secundário". Para o deputado do PSD, "as melhores escolas são as que melhoram", mesmo estando na cauda do ranking. "O importante é incentivar docentes e estabelecimentos a superarem-se a si próprios".

Já Pedro Brandão Rodrigues, membro da Comissão Directiva do CDS/PP, diz que é "curioso ver como Portugal privilegia o ensino superior e descura o básico e o tecnológico, quando mais de 50 por cento da população tem apenas o nível de escolaridade básico ou ainda menos que isso". Uma solução que considera importante para melhorar o nível do secundário? Alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, "favorecendo todos aqueles que enveredarem por um ensino tecnológico ou profissionalizante". Em nome do PCP falou António Abreu, membro da Comissão Política do partido. O dirigente comunista foi ao encontro da posição dos restantes partidos ao sublinhar a dificuldade de "fazer rankings de escolas em situações muito diferentes". E rematou dizendo que o ensino deve ser reavaliado "com rigor e serenidade". Para que "não se acentuem diferenças" e sejam "canalizados meios reforçados para as escolas com maiores dificuldades". 

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