350 euros por aluno
Escola: início do ano lectivo custa às famílias 490 milhões
Tiago Sousa Dias
Os livros e o material escolar estão mais caros e as
famílias têm de abrir os cordões à bolsa
As famílias portuguesas vão gastar, este ano, cerca de 490
milhões de euros na compra de livros e restante material
escolar para os quase 1,4 milhões de alunos matriculados nos
ensinos básico e secundário, o que dá uma média de 350 euros
por estudante. Um valor próximo ao salário mínimo nacional
(374 euros).
Pelos dados recolhidos junto das principais livrarias e
papelarias, e confirmados pelas associações de pais e de
famílias, trata-se do regresso às aulas mais caro de sempre.
Dois factores contribuem para esta situação: o preço dos
livros, que estão mais caros 5 a 10 por cento do que no ano
passado, ou seja, um aumento acima do dobro da inflação (2,1
por cento); e a subida da taxa do IVA, que afecta todo o
material, desde os cadernos às mochilas ou aos compassos,
para além das habituais correcções impostas pela inflação.
Para as famílias, estamos perante um escandaloso exagero.
Estes dados reflectem contas feitas por baixo porque, em
nossa opinião, a maioria das famílias vai gastar mais de 350
euros por cada filho, em tudo o que implica o início das
aulas, o que para muitas representa um esforço titânico,
disse ao Correio da Manhã Carlos Aguiar Gomes, professor e
presidente da Associação de Famílias.
Sendo certo que, para o primeiro ano de escolaridade, a
despesa ronda os 150 euros. Em alguns cursos do secundário a
factura pode subir até aos 700 euros.
PAGAMANETOS EM PRESTAÇÕES
Para amenizar o choque financeiro que o regresso às aulas
representa para boa parte das famílias portuguesas, muitas
optam por fazer encomendas em finais de Junho, logo que têm
conhecimento da lista de manuais, e ir à livraria buscar a
remessa em três vezes.
Temos muitos casos de pessoas que encomendam os livros, que
é o que mais pesa no total dos gastos, e vêm buscar alguns
em Junho, outros em Julho e os restantes agora em finais de
Agosto, disse ao CM Rui Sá, da livraria Bragabooks.
Quanto aos preços, este livreiro confirma que os aumentos,
este ano, foram muito pesados, já que vão dos 30 cêntimos em
livros do primeiro ciclo do básico, até dois euros em alguns
livros do secundário. Relativamente ao material escolar,
fonte da Staples disse ao CM que os preços são os mesmos,
mais os dois por cento do IVA.
"O ESTADO ROUBA AS FAMÍLIAS"
O presidente da Associação das Famílias Numerosas (AFN)
considera que os preços exorbitantes dos livros escolares,
que todos os anos têm de ser comprados, são um autêntico
assalto que o Estado faz às famílias portuguesas. Fernando
Ribeiro e Castro diz que, nesta questão do ensino, o Governo
está mais preocupado com o sucesso da indústria educativa
que gravita à volta do Ministério dito da Educação, do que
com a saúde financeira das famílias. Um dos aspectos mais
criticados pela AFN prende-se com o facto de os livros
escolares não poderem ser reutilizados, sublinhando Fernando
Ribeiro e Castro que é inconcebível que se façam manuais
para serem gastos em apenas um ano. O presidente da AFN
lembra que o Governo anterior preparou um diploma que,
embora não sendo óptimo, já ajudava e que este Governo,
incompreensivelmente, meteu-o na gaveta.
COMEÇOU A CORRIDA AOS HIPERMERCADOS
Apesar de ser dia da semana, a tarde de ontem foi bastante
concorrida nos hipermercados da região de Lisboa visitados
pelo CM. O período de férias conjugado com o fim do mês e
com o fim-de-semana deverá aumentar a afluência aos espaços
comerciais, que apostam sobretudo nas campanhas de regresso
às aulas.
Luísa Santos, de Camarate, ainda não comprou todo o material
escolar para os filhos. Tem de ir aos poucos, porque
gasta-se muito dinheiro, conta à porta de um hiper de
Telheiras. Tem dois filhos a estudar um no 7.º ano e a filha
no 11.º. Já gastei uns 50 euros, os livros é que vai ser
pior, deve custar tudo uns 250 euros ou mais, frisa. O filho
João vai repetir o ano mas com manuais diferentes. Deviam
dar de uns anos para os outros, reclama Luísa Santos.
Numa ronda por alguns hipermercados da região de Lisboa,
encontram-se ofertas para todas as bolsas. As mochilas
variam entre os 3,49 e os 35,90, mas o que está na moda são
os trolley os mais caros ultrapassam os 50 euros. Os
cadernos mais baratos custam 0,35 euros (A5), 0,49 (A4) e
1,69 (A3 cavalinho). Se aos cadernos juntarmos as etiquetas,
saiba que 60 pequenos autocolantes custam 64 cêntimos. Um
conjunto de 12 lápis compra-se por 1,53 e pode-se adquirir
um conjunto de afia e duas borrachas por 0,59. Os
dicionários também são necessários um bilingue
Inglês/Português custa 13,23. E para conhecer o Mundo, um
globo iluminado pode custar 18,99 euros. No total, conte
sempre com umas largas dezenas de euros, só para equipar o
seu filho.
CUSTOS ELEVADOS
CIÊNCIA E ARTES
Estas são as áreas, ao nível do Ensino Secundário, que mais
entram aos bolsos dos pais. Por um lado os manuais são mais
caros e, por outro, o gasto em materiais é incomparavelmente
superior às outras áreas. Em Belas Artes, por exemplo, o
regresso às aulas pode chegar ou até ultrapassar os 900
euros.
O SUBSÍDIO DE FÉRIAS
Para as famílias numerosas, com cinco ou mais filhos a
estudar, o início do ano lectivo provoca uma autêntico rombo
orçamental. Apesar de comprarem em quantidade e, logo, a
preços mais baixos, há casos em que a factura é superior a
1.500 euros. E o que vale é o dinheiro do subsídio que devia
ser das férias.
PRIVADOS DE LUXO
É certo que são só para quem pode, mas não pode deixar de
referir-se que os colégios privados fazem aumentar, pelo
menos para o dobro, o custo do regresso às aulas. É que,
para além dos livros e todo o material, os pais têm de
pagar, já em Setembro, a matrícula e a primeira mensalidade.
Tudo junto pode superar os 850 euros.