Expresso - 9 de Dezembro

Estudantes portugueses reprovados 

APENAS 4% dos alunos portugueses de 15 anos de idade tiveram a pontuação mais alta na avaliação da literacia de leitura. Ou seja, numa escala de menos de 1 a 5 (seis níveis) estabelecida num estudo que avaliou os conhecimentos e competências dos estudantes de 15 anos nos países mais industrializados (OCDE) no ano de 2000, Portugal surge nos últimos lugares, tanto a nível da leitura, como da matemática e das ciências.

O trabalho, que envolveu 265 mil jovens de 32 países, indica que 10% dos jovens portugueses de 15 anos não conseguiram sequer alcançar o nível 1, tendo sido incapazes de resolver as tarefas mais básicas de leitura propostas pelo estudo, elaborado pelo designado grupo PISA. No nível 1 ficaram 17% dos alunos portugueses, enquanto no nível 2 se situaram 25%. 

Os que estão no último lugar da escala só realizam as tarefas de leitura menos complexas; os do patamar 2 vão um pouco mais longe, conseguindo a localização simples de informação e fazer inferências, mas de nível baixo. Nos níveis 3, 4 e 5 ficaram, respectivamente, 28%, 17% e 4% dos alunos portugueses. Atrás de Portugal situaram-se a Rússia, Letónia, Luxemburgo, México e Brasil.

Os países com alunos melhor preparados para compreender, usar e reflectir sobre textos escritos são a Finlândia, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Irlanda, Coreia, Reino Unido e Japão.

O programa PISA, que avalia se as competências e os conhecimentos dos jovens que terminam a escolaridade obrigatória os prepara para a sua participação na sociedade, analisou também os comportamentos ao nível da matemática e das ciências.

Os japoneses e os coreanos de 15 anos estão no topo da lista e apresentam-se como os que melhor utilizam os conhecimentos adquiridos na escola no meio envolvente, cada vez mais assente nos avanços tecnológicos e científicos.

O desempenho a matemática dos portugueses encontra-se, tal como a leitura, entre os 12 países que ficaram abaixo da média da OCDE, com a Alemanha a liderar este grupo. Depois de Portugal, estão a Grécia, Luxemburgo, México e Brasil.

Os portugueses que conseguiram melhor classificação a matemática tiveram uma média de 600 pontos (japoneses e coreanos atingiram 700 pontos) e a sua quota é de apenas 5%. Analisando 25% dos portugueses com melhor desempenho, a pontuação desce para 520, inferior à média da OCDE (571 pontos).

Segundo o PISA, Portugal não apresenta melhores resultados relativamente à literacia de ciências. 5% dos estudantes portugueses com a melhor pontuação obtiveram 600 pontos, enquanto 25% tiveram resultados de 400 pontos (menos 100 que a média da OCDE). Piores que nós, só o Luxemburgo, o México e o Brasil.

MONICA CONTRERAS

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