Público - 13 de Dezembro

Pais Devem Ser Fiscais nas Compras de Brinquedos

Por NELSON MORAIS

"Mesmo contendo a marca CE, o brinquedo pode não ser seguro", diz Mário Frota, da Associação Portuguesa de Direito do Consumo

O presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC), Mário Frota, desafiou ontem os pais portugueses a substituírem-se aos fabricantes e vendedores de brinquedos na avaliação da segurança deste tipo de artigos.

Perante a falta de eficácia da Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) e a consequente venda no mercado português de brinquedos perigosos, resta aos pais assumirem o papel de fiscais para garantirem a segurança dos seus filhos, afirmou Frota, na habitual conferência de imprensa que a APDC promove em vésperas de Natal.

Frota garantiu que ocorrem, em Portugal, cerca de cinco mil acidentes por ano, ocasionados "directa e imediatamente" por brinquedos perigosos. Algo que se deve, em parte, ao facto de nem todos os brinquedos com o certificado de segurança CE, colocado pelo fabricante, respeitarem as normas de fabrico impostas pelo decreto-lei 237/92. "Mesmo contendo a marca CE, o brinquedo pode não ser seguro", afirmou Frota, lembrando que a IGAE, "uma pecha da nossa administração pública", "já teve 1000 fiscais e hoje tem pouco mais de 200".

Assim sendo, a APDC - que este ano não recolheu no mercado exemplos de periculosidade, por alegadas dificuldades económicas - aconselha os pais a prestarem atenção a aspectos como o tipo de material que compõe os brinquedos. Designadamente as tintas utilizadas, que podem ser tóxicas e causar ferimentos na boca a mãos dos bebés. "Verificar com a unha se essa tinta se desprende facilmente" é um dos cuidados mínimos que se pode ter, diz a APDC, aconselhando igualmente brinquedos com formas arredondadas e peluches cujo pêlo não se solte com facilidade, para evitar alergias ou mesmo asfixia.

Substâncias inflamáveis

Ao adquirir brinquedos para crianças com idades inferiores a três anos, convém ainda verificar se eles não têm peças destacáveis mais pequenas do que uma moeda de 50 escudos. Este é o tamanho normal do tubo digestivo, diz a APDC, referindo a existência de tubos de teste para o efeito que, todavia, não são distribuídos em todos os postos de venda de brinquedos nem dados às mães por pediatras ou instituições onde são acompanhadas nas fases pós-parto. O perigo dos brinquedos fabricados com substâncias inflamáveis e a importância de evitar os que são alimentados a electricidade, por uma tensão superior a 24 volts, são outras recomendações da associação de consumo sediada em Coimbra.

"Há que lutar contra os efeitos perniciosos da persuasão da publicidade", avisa ainda a APDC, notando que a Suécia proíbe mensagens publicitárias dirigidas a menores de 12 anos e pretende fazer valer-se do facto de estar quase a assumir a presidência da Comunidade Europeia para alargar aquela limitação a todos Estados-membros.

O NÚMERO

5000 crianças sofrem, todos os anos, acidentes causados directa e imediatamente por brinquedos perigosos.

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