Público - 5 de Dezembro

Jovens com Maiores Dificuldades a Matemática e Ciências

Por ISABEL LEIRIA

Tal como em leitura, os resultados são considerados "preocupantes" Mais do que na leitura, é na literacia matemática e na literacia científica que os alunos portugueses de 15 anos mais perdem na comparação com os seus parceiros da OCDE. Em ambos casos, apenas sete dos 32 países avaliados registaram um desempenho tão baixo ou pior do que Portugal. Apesar de estas serem competências que não mereceram uma análise tão aprofundada como a leitura - isso acontecerá nos próximos dois estudos do PISA (Programme for International Student Assessment) -, os resultados apurados são, para já, tidos como "deveras modestos" e "preocupantes".

Nas duas literacias, os resultados médios dos alunos portugueses são claramente inferiores à média da OCDE. No caso da matemática, Portugal afasta-se 46 pontos do valor médio de referência (500). Na Europa, Itália, Letónia, Polónia, Grécia e Luxemburgo apresentaram resultados semelhantes.

Já a ciências Portugal fica 41 pontos aquém da média, estando ao mesmo nível do Liechtenstein, Grécia, Rússia e Letónia. Pior só o Luxemburgo, México e Brasil.

Igualmente negativo é o facto de tanto os melhores como os piores alunos portugueses (entendidos como aqueles cujos resultados se concentram nos dois extremos da escala) terem classificações inferiores à média da OCDE nestes mesmos segmentos da população. Por exemplo, nos testes de literacia matemática, o valor máximo obtido pelos 25 por cento de alunos lusos com pior desempenho é de 392. Na OCDE, essa classificação média ascende aos 435 pontos. O mesmo acontece com os melhores estudantes: o "mais fraco" dos melhores 25 por cento dos estudantes portugueses alcança uma nota de 520, enquanto a média na OCDE é de 571.

Outra diferença detectada prende-se com o sexo dos estudantes, sendo evidente uma clara supremacia dos rapazes no que respeita às competências matemáticas. Em 15 dos 32 países analisados, eles apresentam resultados médios significativamente superiores aos das raparigas. Portugal acompanha a tendência, ainda que não seja um dos países onde as diferenças mais se fazem sentir. No domínio das ciências, o sexo já não parece ter qualquer relação, já que as diferenças encontradas são pequenas e indicam ora uma maior apetência das alunas, ora dos rapazes. Em Portugal, a supremacia das raparigas não é estatisticamente significativa.

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