Público - 2 Dez 03

Grupos Católicos Pró-vida Dizem Que Contracepção É Primeira Agressão à Sexualidade
Por ANTÓNIO MARUJO

A primeira grande agressão à sexualidade humana, e o início da sua  fragmentação, "é a contracepção". A afirmação de José Pedro Ramos Ascensão, presidente da associação Mais Família, pretende explicar uma das conclusões do congresso "A linguagem corporal do amor numa visão integral do homem". A iniciativa, que decorreu na Universidade Católica, foi promovida por diversos grupos católicos pró-vida.

Nas conclusões, os cerca de 500 participantes afirmam que desde a "revolução sexual" da década de 60 que se tem verificado "uma separação daquilo que a Natureza mantinha ligado: sexo, amor, matrimónio e filhos (família)".

Esta situação, escreve-se no texto, conduz "a uma situação de sexo sem amor, amor sem filhos, filhos sem sexo, com todas as terríveis consequências ao nível da estruturação básica destas mesmas sociedades: filhos sem pais, pais divorciados, a multiplicação de experiências afectivas que não satisfazem, traduzindo-se em uniões precárias, instáveis e não-duradouras, entre outras."

É com uma "sequência de decisões judiciais" que começa com a legalização da contracepção nos Estados Unidos, na década de 60, explica Ramos Ascensão, que se verifica o que os congressistas consideram um "encadeamento lógico e histórico irresistível" e que legaliza depois "o aborto, a fertilização artificial, a eutanásia e mesmo mais recentemente a clonagem".

A "fragmentação" da sexualidade, que "começa fundamentalmente com a contracepção - considerando a fertilidade humana como um erro da Natureza,  que é preciso corrigir através da técnica" leva os participantes do congresso a afirmar que "a contracepção não é má devido às suas consequências terríveis, antes estas se manifestam devido à sua desordem intrínseca".

O congresso pretendia assinalar três aniversários: os 35 anos da encíclica "Humanae Vitae", do Papa Paulo VI, que trata do planeamento familiar, e os 25 anos do pontificado de João Paulo II e da ordenação episcopal do patriarca de Lisboa. É sabido que a "Humanae Vitae" foi promulgada sob pressão dos sectores mais conservadores da Cúria Romana e que estes temas ainda continuam sujeitos a muitas divergências no interior da Igreja. Mas Ramos Ascensão, 38 anos, que é também professor universitário de Direito, diz que "o debate existe, mas é essencial a unidade em torno do Papa" João Paulo II - cujas posições sobre o tema alinham com a encíclica.

"Agora, mais do que debater, devemos estudar a doutrina e ter uma atitude de obediência na unidade", diz o responsável da Mais Família, uma das entidades promotoras do congresso. A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, o Juntos Pela Vida e a Associação dos Médicos Católicos foram outros dos dez grupos envolvidos na iniciativa, que se realizou sexta-feira e sábado passados e contou com a participação de médicos e investigadores estrangeiros.

Nas conclusões, os congressistas dizem ainda que o modelo ético e social da sexualidade humana "reduzida a mera genitalidade" tende "a espalhar-se pelo mundo todo, através de programas de controlo da população, que perante a falta de comida, de trabalho, habitação e saúde, ou a sua má distribuição, respondem com... contracepção."

Neste quadro, concluem "são boas notícias e motivo de esperança o desenvolvimento do planeamento familiar natural e o aparecimento de novos métodos de "fertility care" que, actuando sobre as causas da infertilidade, ao contrário da procriação tecnicamente substituída, são conformes à dignidade humana e à ecologia do corpo, porquanto não assentam em fármacos, nem são invasivas, nem tão-pouco importam manipulação gamética ou embrionária."

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