|
Público - 16 Dez 03
Um Quarto dos Acidentes de Trabalho Devidos ao Álcool
Por LUSA
O consumo excessivo de álcool é responsável por cerca de um quarto dos
acidentes de trabalho em Portugal. A afirmação foi feita ontem por Manuela
Calado, representante da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no
Trabalho num seminário sobre "Alcoolismo em meio laboral", a decorrer na
Exponor (Matosinhos).
Aquela responsável salientou que, apesar de não existirem dados exactos
sobre o número de acidentes laborais causados pelo consumo excessivo de
álcool, os vários estudos já realizados apontam para uma influência
significativa, em particular no sector da construção civil, onde o índice
de sinistralidade é elevado.
O seminário é organizado pelo Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das
Condições de Trabalho (IDICT) e pelo Centro de Formação Profissional da
Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte (CICCOPN). O
objectivo desta iniciativa é contribuir para uma maior reflexão e
consciencialização sobre os perigos inerentes à ingestão de álcool e
outras drogas no trabalho, que são apontados como causas de muitos
acidentes laborais.
Na abertura do encontro, o presidente do IDICT, João Veiga e Moura,
afirmou que o próximo ano irá "marcar a viragem na sinistralidade laboral
em Portugal", referindo-se, nomeadamente, à aposta na formação de técnicos
de higiene e segurança. Referiu que Portugal é o segundo maior consumidor
de álcool na União Europeia e que esse consumo "atinge efeitos
preocupantes, apesar de não existirem estudos muito profundos sobre a
temática".
Em 2004, segundo adiantou, serão realizados estudos para avaliar o impacto
que o consumo de álcool tem ao nível dos acidentes de trabalho e doenças
profissionais, estando também prevista a realização de diversas parcerias,
nomeadamente com o Instituto da Droga e da Toxicodependência. "Iremos
apostar cada vez mais em medidas de prevenção primária com o objectivo de
formar, informar e sensibilizar trabalhadores e empresas para o problema",
disse Veiga e Moura.
Considerando que a actual legislação portuguesa de combate ao álcool no
mundo laboral é "muito exígua", o presidente do IDICT aguarda que a nova
regulamentação sobre segurança e saúde no trabalho altere a situação.
"Neste momento está tudo dependente dos regulamentos internos das próprias
empresas", que, defendeu, "devem ser feitos com a participação dos
próprios trabalhadores".
[anterior] |