Publicou hoje o jornal "Público" um excelente
artigo em que alerta para que muitos jovens se têm casado em
Espanha para "fugirem ao fisco", e responsabilizando a
Concordata por tal facto.
Permita-me os seguintes comentários:
1 - A responsabilidade da situação é apenas do Estado, que
penaliza fortemente quem se casa, e muito mais quem tem filhos, tanto
mais quanto maior o seu número. A APFN tem vindo a alertar para esta
situação totalmente injusta e disparatada, solicitando o apoio da
comunicação social para se inverter rapida e decididamente este estado
de coisas.
2 - Esta situação foi agravada na actual revisão fiscal, ao
criar-se uma dedução para monoparentais que é quase o dobro dos
casados. A dedução por casados já é bastante inferior à de
solteiros e a dedução por cada filho é perfeitamente ridícula, bem
inferior à que se obtem se se comprar um computador...
3 - Como é evidente, a forte penalização a que os casados são
sujeitos não tem nada a ver com a Concordata, e só por mera
distração se pode atribuir à existência da Concordata o facto de
jovens se irem casar a Espanha. Outros, simplesmente não se casam... O
que há que mudar é a totalmente disparatada política familiar (?) do
Estado Português que parece ver no casamento uma ameaça à segurança
nacional, tratando como idiotas os 75% de casais que teimam em não
alinhar nas "modernas" e fiscalmente incentivadas tendências
para a dissolução de famílias.
4 - Num país que vê aumentar o consumo de droga, a incidência de
doenças sexualmente transmissíveis, da delinquência juvenil e de
tantos outros fenómenos que todos reconhecem publicamente como
resultado directo do enfraquecimento das famílias, é no mínimo
criminoso ver o Estado, através dos seus representantes políticos, a
alinharem em políticas contra a família, que leva os jovens a terem
medo de se casar e os menos jovens a não honrarem o compromisso que
livremente assumiram. É, no mínimo, chocante ver o ar angélico com
que responsáveis políticos emitem declarações de preocupação sobre
estes fenómenos quando são eles os principais, se não os únicos,
responsáveis pela degradação das famílias. Tais declarações não
podem deixar de ser classificadas como amostra da mais pura hipocrisia.