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Público - 8 Jan 04
Conselho de Ministros Aprova Reforma do Ensino Secundário
Por BÁRBARA WONG
O Conselho de Ministros aprovou ontem o diploma da reforma do ensino
secundário, que vai entrar em vigor já no próximo ano lectivo. O documento
deixou cair uma das cinco vias de ensino propostas inicialmente, a
vocacional. Assim, o diploma estabelece os princípios orientadores da
organização e gestão do currículo, bem como as matrizes curriculares para
os cinco cursos científico-humanísticos (actualmente chamados cursos
gerais), tecnológicos, profissionais e artísticos especializados.
O documento inclui ainda outra oferta, a do ensino recorrente, já
existente, que é uma segunda oportunidade para quem quer voltar à escola e
que permite conciliar os estudos com a actividade profissional. No caso do
recorrente, os alunos podem optar por cursos científico-humanísticos,
tecnológicos e artísticos. Se estes alunos quiserem concorrer ao ensino
superior, deverão fazer os mesmos exames nacionais que os restantes
candidatos; deste modo, o ministério pretende evitar "condutas
fraudulentas verificadas no passado", diz o diploma.
A reforma prevê a permeabilidade entre todos os cursos do nível
secundário, permitindo ao aluno mudar de via de ensino e também construir
o seu próprio currículo. A partir do ano lectivo de 2004/2005, os
estudantes podem decidir se preferem fazer determinadas cadeiras no 10º ou
no 12º. É ainda assegurada a transferência entre cursos com afinidade de
planos de estudos, de maneira a que o aluno possa alterar o seu percurso
formativo no ano seguinte. Com esta proposta, o Ministério da Educação
pretende combater o abandono e o insucesso escolar.
Conforme já era conhecido, uma disciplina de Tecnologias de Informação e
Comunicação será obrigatória para todas as vias de ensino no 10º ano (o
primeiro do ensino secundário). As provas globais deixam de ser
obrigatórias e cabe aos estabelecimentos de ensino a decisão de as manter
como instrumento de aferição e de preparação para os exames nacionais.
O número de exames também vai diminuir de cinco para quatro e passam a ser
distribuídos entre o 11º e o 12º ano. Está ainda prevista uma ligeira
diminuição da carga horária, bem como a organização das aulas em blocos de
90 minutos. No que diz respeito aos cursos tecnológicos - passam a existir
dez formações possíveis - os alunos serão obrigados a fazer um estágio em
ambiente de trabalho.
O decreto-lei da revisão do ensino secundário será agora objecto de
regulamentação nos próximos dois meses. Em 2005/2006, os novos currículos
entram em vigor para os alunos do 11º ano e em 2006/2007 para os do 12º
ano.
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