Público - 29 Jan 04
 
Resultados Medíocres nas Provas Aferidas de 2002
Por ISABEL LEIRIA

Os mais de 116 mil alunos do 6º ano que, em Maio de 2002, realizaram as provas de aferição não conseguiram mais do que uma média de 33,5 por cento, numa escala de 0 a 100. É certo que todos estavam conscientes de que estes testes não contavam para nota, nem tão pouco serviam para avaliar o que cada um dos alunos sabia. Mas se o principal objectivo com que foram criados é o de saber se, no final de cada ciclo do ensino básico, os estudantes atingiram as competências essenciais previstas no currículo nacional, os resultados são preocupantes.

Analisando as médias nacionais obtidas por prova - Matemática e Língua Portuguesa (LP) -, realizadas por uma amostra de escolas (68) com o 4º ano e pela totalidade das turmas do 6º e 9º anos, conclui-se o que há muito se vem constatando, sublinha o deputado socialista Augusto Santos Silva, subscritor do requerimento dirigido ao ministro da Educação, solicitando a divulgação destes resultados.

Qualquer que seja o nível de ensino, os alunos portugueses demonstram muito mais dificuldades com os números do que com o português. As médias nas provas aferidas de LP no 4º e 6º anos são francamente positivas, ainda que no último ano da escolaridade obrigatória os resultados sejam significativamente piores e fiquem abaixo dos 50 por cento. Já a Matemática, apenas os miúdos do 4º ano se saíram razoavelmente, com o descalabro a acontecer nas provas do 6º ano.

Em relação às medias nacionais, ressaltam ainda dois tipos de padrões constantes nos três ciclos de ensino. A Português, as raparigas saem-se invariável e significativamente melhor do que os rapazes. A Matemática as diferenças são muito ténues, com uma ligeira vantagem para eles. Quanto às idades, fica mais uma vez demonstrado que as classificações dos mais novos em cada ano são muito superiores às dos colegas mais velhos. Já o impacto do factor "dimensão das escolas" nos resultados parece reduzido ou inexistente.

Para além das classificações nacionais, foram ainda calculados os resultados médios por centro de área educativa (CAE) e regiões autónomas, sendo certo que as oscilações e o aparente efeito do desenvolvimento sócio-económico no desempenho dos alunos são mais relevantes na Matemática.

Tanto no 6º ano como no 9º, a divisão entre norte e sul é evidente, já que nenhum CAE a sul do Tejo apresenta uma média superior aos resultados nacionais de Matemática. Num cenário em que nenhuma das regiões consideradas obteve resultados positivos, Leiria (com 39 por cento de média no 6º ano e 46,4 por cento no 9º ano) sobressai como o CAE onde os alunos demonstraram mais competências. Entre aqueles onde um maior número de estudantes prestaram provas, destacam-se a Grande Lisboa e o Porto.

Os Açores e a Madeira salientam-se pela negativa e, em ambos os ciclos, figuram entre as regiões onde os alunos pior responderam ao que lhes era pedido. No caso do 6º ano, a média nacional nas ilhas ficou aquém dos 30 por cento.

Dificuldades na resolução de problemas
Independentemente dos resultados globais, um dos aspectos mais importantes das provas aferidas prende-se com a informação relativa ao tipo de competências que estão a ser mais ou menos adquiridas pelos alunos. Seja a Matemática, seja a LP, cada pergunta da prova remete para um determinado conteúdo e, em relação a este, determinada competência.

É pois possível, em termos genéricos e na análise que deve ser efectuada por cada escola, perceber quais os pontos fortes e fracos do ensino. A LP, por exemplo, a produção de textos escritos é o exercício onde os alunos de todos os ciclos se saem melhor. No 4º ano, os resultados são maus quando se pedem respostas que não estão explícitas no texto. No 6º ano e no 9º anos, as maiores dificuldades surgem em relação ao conhecimento das categorias gramaticais (identificar adjectivos, verbos, pronomes, etc.) ou da estrutura da palavra.

Na Matemática, a geometria e a estatística são o calcanhar de Aquiles, com a resolução de problemas e também a comunicação a revelarem-se como competências problemáticas para a maioria dos alunos.

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