Diário de Notícias - 11 Jan 06
Ministro desdramatiza
Teixeira dos Santos
Ao afirmar que dentro de dez anos a Segurança Social pode
não ter dinheiro para pagar pensões se não for alterado o
seu sistema de financiamento, o ministro das Finanças lançou
um sinal de alarme, que foi duramente criticado pelos
sindicatos e refreado pelo próprio ministro do Trabalho e
Solidariedade.
Vieira da Silva, que tem procurado transmitir a ideia de que
o Governo está a actuar para controlar as contas, lembrou
que o Executivo aposta numa série de medidas - algumas já em
prática, outras a vigorar entre este ano e o próximo - que
visam contrariar o risco de insustentabilidade. Questionado
sobre se o Governo pretende avançar com novas alterações na
Segurança Social, para além daquelas que já foram
anunciadas, fonte do gabinete de Vieira da Silva disse ao DN
que "as medidas mais urgentes já estão em andamento", sendo
agora prioritário criar mais emprego e tornar o sistema mais
equilibrado e equitativo.
A declarações de Teixeira dos Santos à RTP expressam, no
fundo, as mesmas conclusões que constam do relatório sobre
sustentabilidade da Segurança Social, que foi anexado ao
Orçamento do Estado e que o DN divulgou em primeira mão.
Nele o Governo conclui que , contando com as medidas
adoptadas em 2005, o sistema iniciaria a trajectória de
desequilíbrio já em 2007. Nesse ano o sistema teria de
recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira, sendo que
este se esgotaria em 2015, desencadeando a sua ruptura. Mas
enquanto Teixeira dos Santos advoga mexidas no sistema de
financiamento, Vieira da Silva não quer ir muito longe nesta
matéria, pois rejeita uma componente privada e o aumento da
idade de reforma.
Para além das medidas de efeitos mais imediatos, como a
suspensão das reformas antecipadas, o aumento das
contribuições dos trabalhadores independentes, a
transferência de metade do aumento do IVA , e a revisão do
subsídio de desemprego, o Governo quer proceder a outras
alterações. A mais importante é a contagem de toda a
carreira no cálculo da pensão, de modo a aplicá-la o mais
cedo possível para todos os que já estão no sistema. A
segunda é agravar a taxa de penalização das reformas
antecipadas dos 4,5% para 5% ou 6%.