Carlos
Aguiar Gomes - 10 Jan 06
Procuração Medicamente
Assistida
PMA
Carlos Aguiar
Gomes
A biotecnologia
desenvolveu processos de investigação nunca antes
imaginados! Ainda bem que a Ciência evolui, progride. São
inúmeras as situações que encontram resposta na área da
Biologia Humana. Os progressos são e continuam a ser
imensos. A Humanidade pode e deve estar agradecida aos
investigadores de uma Ciência que até há pouco tempo era
olhada como uma Ciência menor, desprezível e sem interesse
(talvez interessasse a grupos pequenos de “apoucados” que se
entretinham a contar os anéis da minhoca, as patas do
caranguejo ou outras minudências assim. A Gregor Mendel
(séc. XIX) padre católico, deve muito a actual Biologia e
nela a Biologia Humana. A Genética nasce naquela época
quando o monge Agostinho se entretinha a cruzar ervilheiras
não para “matar o tempo” não! Daí para cá o que se avançou
em termos de conhecimento biológico!... Destacarei a
descoberta da dupla hélice de ADN (ou DNA para os
anglo-saxónicos) que deu o Nobel a Watson e Crick, dois
biólogos investigadores.
… E os biólogos
continuaram. Foi, e é, possível substituir a Natureza, por
exemplo, no campo da reprodução por métodos naturais e bem
artesanais. De investigação em investigação, chegamos a um
ponto em que urge parar para reflectir pois corre-se o risco
de o Homem ultrapassar os limites do eticamente razoável. Da
fecundação “in vitro” que pode ser aceitável, caminhou-se
para intervenções mais perigosas: a da manipulação dos
embriões, utilizados estes para experimentação cujos
resultados, por mais e melhores que sejam, não justificam o
massacre, destruição e alteração daqueles, que são já
humanos! A Procriação Médica Assistida terá, pois que ser
balizada. Deverá interditar-se, de modo claro, que a
fecundação heterólopa (óvulo de uma Mulher e espermatozóide
de um Homem qualquer não identificado) deverá ser
absolutamente proibido pela razão simples de que cada
criança, cada Homem/Mulher, tem direito a saber quem é o seu
Pai. O tempo dos filhos de pais incógnitos passou. E ainda
bem! Não se queira regredir!
Um filho não
deveria nunca ser o “produto” de uma manipulação
laboratorial, habilidosa, que impeça ao embrião, feto,
criança, jovem, adulto ou velho, expressões de uma mesma
realidade, aliás, conhecer a sua origem e identidade dos
seus progenitores.
Pior, ainda, se
se “criam” embriões excedentários, sem futuro familiar e
projecto de vida, só pelo puro prazer de os utilizar como
cobaias. As Sociedades Protectoras dos Animais têm-se
manifestado contra a utilização de qualquer animal em
experimentação laboratorial, mesmo quando de tal decorrem
notórios benefícios para o homem! E aos embriões não será
reconhecido o direito à vida? É uma contradição que não
entendo… Ou talvez entenda!...
A
maternidade/paternidade é um dom pessoal e que não
contempla, de forma natural, a sua substituição. As
“barrigas de aluguer” não são mais do que exercícios do
egoísmo que está minando a nossa sociedade. A cada criança
deve ser dado e reconhecido direito de se desenvolver no
ventre materno daquela que o concebeu, pariu, aleitou,
acarinhou, protegeu e protegerá pela vida fora!
Os nove meses da
vida intra-uterina, está mais do que demonstrado
cientificamente, são vitais e essenciais para o
desenvolvimento de cada Pessoa Humana. O vínculo parental
(da mãe e do pai!) começa precisamente aí: no ventre
materno. Por que razão impedir que a algumas crianças lhes
seja sonegado esse direito?
Não deveríamos
deixar que os aprendizes de feiticeiros andem à solta, “sem
rei nem roque”, a fazerem tudo o que a sua fértil imaginação
lhes vai sugerindo. Há limites! Até as selvas têm as suas
regras bem definidas. Será que a nossa sociedade se quer
transformar em selva onde é perigoso viver, ou melhor, onde
alguém se arroga o direito de dispor dos outros (os embriões
já são um outro diferente do meu eu) como entender?
Por isso, e por
causa disso, temos que andar atentos ao que se passa no
Parlamento nesta área da Procriação Medicamente Assistida.
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