Neste princípio de ano, muitos consumidores
decidem alterar hábitos de consumo e poupar nas
suas despesas correntes. A prestação do crédito
à habitação, os gastos com cartões de crédito,
as comissões a pagar aos bancos pela manutenção
de contas são alguns exemplos de despesas que os
clientes bancários querem sempre reduzir. Para o
conseguir, basta analisar a suas reais
necessidades em termos de serviços e produtos
financeiros, fazer uma comparação entre bancos e
não se deixar entusiasmar por alguma publicidade
que induz ao facilitismo.
Nas várias frentes de despesas financeiras, a
que mais pesa nos orçamentos das famílias é, sem
dúvida, o crédito à habitação. É por aqui que
convém começar.
Se há muito não revê as condições do seu
empréstimo à compra de casa, deve dirigir-se ao
seu banco e constatar qual a taxa de juro que
está a pagar e, principalmente, qual a margem
financeira que o banco aplica sobre ela, o
chamado spread. Se o que lhe está a ser
aplicado é superior a um ponto percentual, é um
bom ponto de partida para negociar,
especialmente se a sua relação com o banco é
duradoura e possui outros produtos e serviços da
mesma instituição. De acordo com cálculos feitos
pelos bancos, por cada ponto percentual a mais
na sua taxa , a sua prestação sobe cerca de 13%.
Na actual conjuntura de subida dos juros, se
conseguir reduzir, por exemplo, meio ponto
percentual ao seu spread, conseguirá
minimizar o efeito de subida na prestação.
Se possui um crédito pessoal, é mais difícil
rever as condições. O ideal, como referiu ao DN
Natália Nunes, jurista da Deco - Associação de
Defesa do Consumidor, é comparar antecipadamente
a oferta existente no mercado, especialmente a
taxa anual efectiva garantida (TAEG) e ver o que
realmente vai pagar.
Os cartões de crédito são outro dos produtos com
taxas de juro elevadas e aos quais convém fazer
bem as contas. As taxas anuais pagas ultrapassam
os 20% e a estas há que acrescentar as
anuidades. "Muitas pessoas gostam de ostentar
vários cartões na sua carteira, sem se
aperceberem do que estão a pagar", alertou
Natália Nunes, aconselhando os consumidores a
fazerem uma selecção e, também aqui, a comparar
preços. A utilização criteriosa dos cartões como
meio de pagamento é outro dos conselhos deixados
pela Deco.
Os custos de manutenção de contas não param
igualmente de aumentar e os clientes bancários
têm de estar atentos à forma de os reduzir. De
acordo com os conselhos da Deco, "abrir conta no
banco certo permite poupar largas dezenas de
euros por ano", resultantes de um estudo recente
a 19 contas bancárias.
Segundo Natália Nunes, ter uma conta ordenado
apresenta vantagens, uma vez que a maior parte
não cobra despesas de manutenção. No entanto,
utilizar o crédito da conta ordenado pode não
ser vantajoso, uma vez que a (TAEG) varia, de
acordo com a Deco, entre 12,46% e 24,16%.
Para pagar menos pelos serviços bancários - como
fazer uma transferência, pedir cheques ou dar
ordens de bolsa - os consumidores deverão
habituar-se a utilizar as vias directas, ou
seja, o telefone e a Internet.
À semelhança da atitude aconselhada em termos de
crédito à habitação, o cliente deve igualmente
rever, de tempo a tempo, as condições aplicadas
aos seus produtos de poupança. De acordo com a
oferta existente, há que analisar os prazos, as
remunerações e adequá-las às necessidades e
perfil do consumidor.