12º Ano
Por ANDREIA SANCHES
Politécnicos pouco exigentes
As diferentes classificações exigidas para aceder ao superior podem
ser consultadas desde ontem em http://www.desup.min-edu.pt
"É triste!" É esta a reacção de Meira Soares,
presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, às notas
(muito) mínimas que uma vez mais são exigidas aos candidatos a um
lugar numa universidade ou politécnico. Tal como noutros anos, várias
instituições de ensino superior "continuam a pôr a fasquia baixa
de mais" e podem vir a aceitar alunos que tiveram negativas nos
exames do 12º ano que servem de provas de ingresso.
Apenas um exemplo: à partida, é possível que um jovem que quer
tirar um curso que o habilita a ser professor de Matemática ingresse
numa faculdade pública tendo tido apenas 5,8 valores (numa escala de
zero a 20) na primeira chamada do exame do 12º ano de... Matemática.
Se tiver frequentado o 12º ano "antigo", então, pode até
concorrer com 2,1 valores.
Nas instituições privadas a exigência é, em regra, ainda menor:
em cursos que adoptam o exame de Física como prova de ingresso, o
mínimo estabelecido oscila entre 1,1 e 3,8 valores.
Mas esta informação, só ontem disponibilizada na Internet (apesar
de as candidaturas ao ensino superior terem tido início na
segunda-feira), deve ser lida com cuidado, alerta o Ministério da
Educação em nota emitida ontem ao final do dia. É que estas notas
mínimas só se "aplicam às provas de ingresso", sendo que
"para a candidatura ao ensino superior não basta ter a
classificação mínima na prova de ingresso". É preciso também
ter "uma classificação mínima na nota de candidatura".
O auxílio do Guia de Acesso ao Ensino Superior, que começou a ser
distribuído anteontem aos candidatos, é, pois, fundamental para saber
exactamente as condições impostas em cada escola.
Medo de não ter alunos
Antes de o concurso nacional de acesso ter início, todas as
instituições de ensino são obrigadas a estabelecer duas notas
mínimas: uma de candidatura (calculada com base nas classificações
finais do secundário, das provas de ingresso e dos pré-requisitos) e
outra exclusivamente para as provas de ingresso. Mas essa
"nota" inicialmente estabelecida acaba em muitos casos por
baixar, e muito, quando são tornados públicos os resultados dos exames
nacionais do 12º ano - os tais que também servem para aceder ao
superior.
É que a lei prevê a adopção de certos mecanismos que permitem que
as mínimas que as escolas começam por fixar baixem quando as médias
nacionais dos exames do secundário indiquem que uma grande percentagem
dos examinandos irá ficar excluída. E se já há muitas
instituições, sobretudo universidades públicas, que não recorrem a
esses mecanismos, mantendo intocável uma nota mínima positiva ou
próxima disso (acontece com mais de metade dos cursos universitários
onde as classificações mínimas exigidas são fixas e iguais ou
superiores a 9,5), outras instituições valem-se deles para não
correrem o risco de ficar sem alunos.
Foi isso que, este ano, uma vez mais, aconteceu: baixou-se a fasquia
nas notas exigidas nas provas de ingresso. "No ensino politécnico
público, ainda só em 17 por cento dos pares estabelecimento/curso são
exigidas classificações fixas", continua a nota ministerial.
A culpa de tão pouca exigência no acesso, diz Meira Soares, não é
só das instituições de ensino superior. É do sistema de ensino,
nomeadamente do secundário, que não prepara devidamente os alunos.
"Se não se melhorarem os métodos de ensino para promover o
sucesso dos alunos, seja nas universidades, seja no secundário, não
adianta aumentar a exigência...", diz.
Ao todo estão em jogo 82 mil vagas, distribuídas entre cursos do
sector público e privado. Mas a questão das notas mínimas não se
coloca para todos: no caso da Medicina ou da Arquitectura, por exemplo,
está fora de questão falar de valores de acesso que não sejam de 17 e
18, no ensino público, como têm demonstrado as médias dos últimos
colocados nestes cursos.