Público - 12 Jul 04

População em Portugal Deve Decrescer a Partir de 2011
Por ISABEL LEIRIA

Depois de ter ultrapassado a fasquia dos 10 milhões, em 1995, a população residente em Portugal deverá continuar a aumentar até 2011. A partir desse ano, estima-se que o número de pessoas a viver no país comece a decrescer. As projecções são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e foram divulgadas para assinalar o Dia Mundial da População, comemorado ontem.

Os dados do INE traçam a evolução demográfica de Portugal ao longo de 20 anos (1994 a 2014) e apontam 2011 como aquele em que se registará o maior efectivo populacional: 10.626 milhões, contra os 10.475 milhões verificados no início deste ano. A partir de então deve iniciar-se um decréscimo, que se manterá, pelo menos, até 2014.

A tendência decrescente das taxas de crescimento efectivo da população - que assumirão um valor nulo em 2010 e negativo nos anos seguintes - contribuem decisivamente para esta evolução. Inversamente, foi sobretudo graças ao aumento das taxas de crescimento migratório favoráveis que a população aumentou entre 1994 e 2002. Neste período, o saldo migratório (diferença entre emigração e imigração) foi sempre positivo e crescente, passando de 17 mil para os 70 mil (em 2002). "A partir deste ano, os valores, apesar de positivos, atenuam-se, prevendo que em 2014 ronde os dez mil", escreve o INE.

Sobre a natalidade, os dados revelam que a quebra, iniciada em 2001, deverá manter-se até 2014. Há dez anos, a taxa de natalidade estava próxima de 11 nados-vivos por cada 1000 habitantes, mas dentro de outros dez anos, deverá ser apenas de nove, projecta o INE.

"Apesar do período compreendido entre 1995 e 2000 se observar uma ligeira recuperação, embora com oscilações, os níveis voltaram a diminuir no começo do século XXI", informa o relatório. O problema é que as mudanças neste campo reflectem-se, quer no número de crianças nascidas em cada ano, como no número de filhos que aquelas venham a ter no futuro.

Quanto à esperança média de vida, o INE conclui que deverá atenuar-se a diferença na longevidade entre sexos. Se em 1994 as mulheres podiam esperar viver, em média, cerca 79 anos e os homens 71, prevê-se que, em 2014, os valores ascendam a 82 e 76 anos, respectivamente.

O aumento da esperança média de vida é acompanhada por uma baixa dos níveis da mortalidade, em particular da mortalidade infantil. A evolução entre 1994 e 2003 é considerável, diminuindo dos 7,9 óbitos de crianças com menos de um ano por cada mil nados-vivos para 4,1.

A conjugação de todos estes factores leva a que se verifique uma alteração da distribuição da população por grandes grupos etários. Essas mudanças não são significativas na percentagem da população em idade activa (tem rondado e deve manter-se nos 67 por cento), mas fazem-se sentir no grupo dos mais jovens (0 aos 14 anos) e do mais idosos (65 anos ou mais).

Foi no início deste século que a proporção de idosos passou a ser superior à de jovens. Dentro de dez anos, a diferença será ainda maior. O grupo 65 anos ou mais de idade representará 18,4 por cento da população total e a
percentagem de jovens cairá para os 15,2 por cento.

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