Público - 21 Jul 04

Ministro garante rigor e exigência no controlo de gastos públicos
Bagão Félix admite redução do IRS se houver folga orçamental
 
O ministro das Finanças e Administração Pública, António Bagão Félix, admitiu hoje a redução do Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares (IRS) caso exista folga orçamental que o permita.

Bagão Félix, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, e com o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu que o Governo não se desviará do rigor e da exigência de controlo de gastos públicos. "O rigor não é uma circunstância, é uma exigência permanente", disse, esclarecendo que esta exigência não depende da existência ou não de défice, mas sim do respeito do Estado pelo dinheiro dos contribuintes.

"Os portugueses têm de entender que não se pode ter ao mesmo tempo uma redução de impostos e um aumento da despesa pública", acrescentou o novo ministro das Finanças.

Bagão Félix sublinhou que o Orçamento de Estado que o Governo vai apresentar será "estimulante, justo e responsável. Se houver folga no Orçamento, a prioridade será o IRS, adiantou.

A concretizar-se uma redução no IRS, esta poderá ser posta em prática através de um conjunto de deduções que melhorem a situação das famílias com menos rendimentos e com mais filhos, por exemplo. "Tudo o que poder ser feito nesta área será com o objectivo de reforçar a justiça social", assegurou o ministro.

O governador do Banco de Portugal reafirmou aos jornalistas, à saída da residência oficial do primeiro-ministro, que o crescimento moderado que se está a verificar na economia pode permitir uma diminuição nos impostos desde que a despesa pública também sofra uma redução.

"O crescimento económico é modesto, insuficiente só por si para aumentar as receitas a nível orçamental", argumentou Vítor Constâncio, defendendo a necessidade de serem tomadas medidas para aumentar as receitas públicas.

"É necessário continuar o combate à evasão fiscal e reduzir a despesas", acrescentou o governador do Banco de Portugal, acrescentando que "pode-se, nomeadamente, acabar com um conjunto de isenções e benefícios que foram postos em prática ao longo dos anos e que hoje já não se justificam". 

Lusa

[anterior]