Diário de Notícias - 29 Jul 04
Estatuto dos Benefícios revisto com autorização legislativa
EVA CABRAL
O ministro das Finanças, Bagão Félix, admitiu ontem ao DN introduzir
já no Orçamento de Estado para 2005 algumas mexidas no IRS que
possam «reforçar a componente de Justiça Social deste imposto», bem
como solicitar à Assembleia da República uma autorização legislativa
para mexer no diploma que rege os Benefícios Fiscais a fim de que em
2006 haja um novo e bem estruturado regime.
Bagão Félix frisou ter a intenção de proceder a uma ampla
racionalização dos Benefícios Fiscais e no sistema de Deduções,
reconhecendo que os escassos meses que medeiam até à entrega do
próximo Orçamento de Estado poderão levar a que o grosso deste
trabalho se faça numa fase posterior.
Mas o ministro tenciona ter, já no Orçamento de Estado para 2005,
uma fiscalidade em sede de IRS mais vocacionada para a protecção
social. Como exemplo deste tipo de preocupações, enfatizou que não
existe razão para que aqueles que têm pais idosos em casa tenham um
abatimento fiscal menor do que os que os têm internados em lares.
Este é, refere, um domínio em que se deve fazer uma aproximação
clara no plano fiscal por forma a privilegiar-se a família. Para
2005, o ministro prevê vir a mudar os escalões, afastando a hipótese
de proceder a mudanças nas taxas de IRS.
O Orçamento de Estado terá de ser apresentado até 15 de Outubro, o
que obrigará o Executivo a trabalhar a ritmo redobrado durante o
Verão para cumprir o prazo constitucional, um compromisso assumido
por Santana Lopes.
BE CONTESTA MINISTRO
Francisco Louçã acusou ontem o novo ministro das Finanças de ter
como preocupação essencial a «redução de taxa máxima de IRS, que é
actualmente de 40 %. O deputado bloquista contesta o exemplo dado
por Bagão Félix, no debate do Programa do Governo, segundo o qual
«um casal em que cada um dos cônjuge tenha rendimentos de 550 euros
pode alcançar uma taxa marginal de IRS de 34 %». Louçã frisa que
«não há nenhum caso em que esses rendimentos, afectados ainda por
cima pelo coeficiente conjugal, atinjam essa taxa de IRS».
Em nota distribuída à Imprensa, Louçã contesta igualmente as contas
de Bagão Félix sobre o impacto na Economia da redução da taxa de IRC
de 30 para 25 %. Esta redução, concretizada este ano, implicaria,
segundo o ministro, que o PIB aumentasse 5 %. [anterior] |