21 de Junho de 2000 - Jornal das Caldas

Famílias numerosas sem benefícios fiscais

A fiscalidade das famílias é injusta, incoerente e promotora de desigualdades, são as conclusões da conferência "Família e Fiscalidade" promovida pela APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, no dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança. Um evento presidido pela Ministra da Igualdade e tendo como conferencistas Alberto Ramalheira, Diogo Leite de Campos, Luísa Anacoreta Correia e Francisco Sarsfield Cabral.

Das apresentações efectuadas, ressaltou que o IRS é um imposto injusto, incoerente e promotor de desigualdades.

Citando apenas algumas situações de flagrante incoerência e injustiça: O IRC permite deduzir todas as despesas das empresas que sejam necessárias para o seu funcionamento. Pelo contrário, o IRS, apesar de estar consagrado no artº 67 da Constituição que a família é o elemento fundamental da sociedade, não permite deduzir as despesas mais elementares para a sobrevivência dos elementos que fazem parte da família.

Por exemplo, porque motivo existe uma dedução de 27.950 escudos por cada sujeito passivo (55.900 por casal) mais cerca de 20.000 por filho? Os 76.00 por dia destinam-se a quê? Porque motivo a dedução não é igual, pelo menos, ao salário mínimo anual, por elemento da família? A família não tem que beber, comer e vestir-se, pelo menos? E não tem que pagar habitação, transportes, electricidade, a educação dos seus filhos, etc? Ou isto são luxos?

Porque motivo a taxa máxima do rendimento do trabalho é de 40% e do rendimento de capitais é de 20%? Porque o Estado considera que só trabalha quem não sabe fazer mais nada, e que há que carregá-los com impostos para estimular a sua imaginação?

Por que motivo o limite do seguro de doença é de 27.200 escudos por ano independentemente da dimensão da família? Por que motivo as despesas de educação penalizam as famílias numerosas?

Em resumo: O IRS é um imposto que necessita de ser totalmente revisto, por ser totalmente incoerente com os princípios segundo os quais foi criado. O regime fiscal a que as famílias estão sujeitas penaliza sobretudo as famílias numerosas, pelo que o Estado é o principal responsável pelo envelhecimento da população.

A APFN exorta as forças políticas, e o Governo em particular, a reverem com urgência o regime fiscal das famílias, dando seguimento aos inúmeros estudos elaborados a seu pedido nos últimos dez anos.

O actual regime fiscal das famílias é ferido de inconstitucionalidade, por violar o disposto nos arts 67, 103 e 104 da Constituição.

A correcção destas anomalias não implica nenhuma reforma fiscal demorada e eventualmente susceptível de grandes controvérsias.

 

Fernando Castro
Presidente da Direcção da APFN

 

 

 

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