Público - 1 de Junho

Pais Vão Ser Obrigados a Gozar Licença de Paternidade

Por ALEXANDRA CAMPOS

Projecto de lei aprovado hoje

Cerca de metade dos progenitores desconhece aquele direito ou não o exerce por embaraço

O Governo quer obrigar os portugueses que acabam de ser pais a gozarem a licença de paternidade de cinco dias úteis a que têm direito, um mês após o nascimento dos filhos. A medida justifica-se porque, após um ano de entrada em vigor da legislação que instituiu este direito, se constatou que cerca de metade dos pais portugueses pura e simplesmente não usufrui da licença de paternidade, adiantou ao PÚBLICO o ministro do Trabalho e da Solidariedade, Paulo Pedroso. "É uma opção política consciente. Há muitos pais que não usam este direito, prejudicando a relação precoce com a criança. É preciso dizer-lhes que o direito à paternidade é também um direito do filho", explica o ministro.

Para fazer com que os homens deixem de trabalhar durante uma semana após o nascimento de um filho, o Governo elaborou um projecto de lei que torna este direito "irrenunciável", à semelhança do que acontece com o direito a uma parte das férias. Hoje, Dia Mundial da Criança, o projecto de lei vai ser aprovado em Conselho de Ministros, sendo depois apresentado à Assembleia da República.

Pressão jurídica

Trata-se de uma medida com um carácter essencialmente simbólico, apesar de, em teoria, poder implicar que, em caso de denúncia, os pais que não usufruam da licença de paternidade tenham de pagar uma coima, a exemplo do que acontece com os trabalhadores que prescindam de uma parte das férias. É "um aperfeiçoamento no sentido de criar uma pressão jurídica" para que os pais usufruam da relação precoce, sintetiza o ministro.

A medida insere-se numa ambiciosa campanha que visa chamar a atenção dos pais portugueses para o uso dos direitos de paternidade em vigor há cerca de um ano. Para Paulo Pedroso, que hoje apresenta esta campanha na companhia do primeiro-ministro, na Feira dos Direitos, no Bairro da Bela Vista, em Chelas, o incumprimento destes direitos explica-se, em muitos casos, por mero desconhecimento da lei, mas noutros casos é consequência daquilo que designa como "pressão social". É que, em Portugal, a fase que se segue ao parto está, por tradição, circunscrita à figura materna, o que faz com que alguns pais sintam um certo embaraço em reclamar a licença de paternidade.

A campanha sobre o uso dos direitos dos pais - para além dos cinco dias úteis a gozar um mês após o parto, os portugueses podem ainda usufruir de uma licença de 15 dias logo a seguir aos quatro meses que a lei prevê para as mães - tem início na comunicação social, a partir do fim-de-semana, sob o lema "Cada vez mais pelas famílias".

Se todos os pais trabalhadores exercessem o direito à licença de paternidade, a Segurança Social gastaria cerca de um milhão e meio de contos por ano.  

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