O INE publicou no passado dia 12 de Junho o estudo
"Projecções de população residente em Portugal 2000-2050" em que
mais uma vez alerta para o alarmante envelhecimento da população,
resultante em grande parte da baixa taxa de natalidade.
Sobre este estudo, a APFN tem a fazer os seguintes
comentários:
1 - A análise efectuada é optimista.
Com efeito, e por ser de 2000 a 2050, o INE
usou como ponto de partida o índice sintético de fecundidade de
2000 (1.56), que foi bastante mais elevado que
o valor dos últimos dez anos, incluindo 2001 e 2002. Na nossa
opinião, dever-se-ia ter entrado em linha de conta com este
"factor anormal", tomando-se, como ponto de partida, a média dos
últimos 5 ou 10 anos, bem inferior.
2 - O "cenário base" é optimista,
uma vez que prevê uma evolução deste mesmo índice para 1.71 em
2050, quando nada leva a pensar-se que possa haver um aumento da
natalidade, como mostra o facto de o índice ter reduzido em 2001 e
2002. Portanto, crê-se que o "cenário base" deveria ter sido
tomado assumindo-se a manutenção do índice no valor médio dos
últimos 10 anos, onde tem andado mais ou menos constante com
pequenas oscilações (tendo 2000 sido a excepção).
Portanto, o cenário mais realista será
qualquer coisa entre o "cenário base" e "cenário de
envelhecimento" apresentados nesse estudo.
Este estudo deverá ser analisado com os dados do
último "Inquérito à Família e Fecundidade" efectuado pelo INE, que
evidencia que o número médio de "filhos desejados" é de
2.1 por casal, e com o estudo recentemente divulgado pelo
instituto de estatísticas francês INSEE (http://www.apfn.com.pt/Noticias/Mai2003/mulheres.htm),
que mostra que os casais emigrantes em França tinham, em 1999, uma
média de 2.04 filhos, aproximando-se, assim, dos
desejáveis 2.1 filhos por casal para a necessária renovação de
gerações.
É assim, evidente, que:
1 - A chamada "falta de fecundidade"
em Portugal não é um defeito dos casais portugueses nem "falta
de vontade" .
Não só eles desejam ter mais filhos, como o conseguem
desde que residam fora
de Portugal!
2 - Basta, portanto, que se implementem
em Portugal as medidas que foram implementadas em França,
para que os portugueses possam ter os filhos que desejam.
Não o fazem, apenas, porque o Estado não quer,
como a APFN tem vindo, insistentemente, a reclamar,
e todos os estudos mostram!
3 - Por outras palavras, a
responsabilidade da actual e previsível desastrosa situação
demográfica é da exclusiva (ir)responsabilidade dos governos dos
últimos 20 anos, que têm ignorado sucessivamente os
inúmeros avisos que têm sido feitos, continuando com uma política
anti-família e anti-natalidade, de que o regime fiscal é a
"cereja em cima do bolo", penalizando quem se casa,
beneficiando fortemente quem se divorcia, e penalizando os
casais com filhos, tanto mais quanto maior o seu número.
4 - É evidente que a responsabilidade da
situação não é, ainda, do actual governo, embora já tenha aprovado
dois orçamentos sem qualquer medida de vulto no sentido de
inverter a situação. Mas compete ao actual governo tomar medidas
sérias para "minimizar estragos" uma vez que alguns são, já,
inevitáveis. Embora já tenha anunciado a intenção de criar
algumas, há que reforçá-las fortemente e, com urgência,
pô-las a funcionar.
5 - A APFN recomenda, fortemente, que
seja estabelecido como objectivo retirar imediatamente todo o
caráter anti-natalidade e anti-família existente na legislação
portuguesa, por forma que todos os casais possam ter os filhos que
desejam, e de que o país está tão carente e que, de
acordo com o referido "Inquérito à Família e Fecundidade", são os
necessários 2.1 filhos por casal.
6 - A APFN recomenda, ainda, que seja solicitado
ao INE uma projecção de população residente até 2050,
prevendo-se um cenário em que o índice sintético de fecundidade
aumentasse em 0.1 por ano até aos 2.1, e assim se mantivesse até
2050. Este é o cenário esperado, com os dados actuais, de
uma política familiar adequada, em que o Estado daria a
liberdade de os casais terem os filhos desejados, como
acontece com os casais portugueses que residem em França.
7 - Finalmente, a APFN recomenda fortemente que
sejam refeitas, por uma entidade independente, as
previsões de sustentabilidade do sistema de segurança social,
à luz deste estudo do INE. A APFN tem fortíssimas razões para
suspeitar das declarações de que o sistema está garantido para os
próximos 40 anos, uma vez que, fisicamente, é impossível, dado o
enorme e previsto crescente racio entre reformados e
população activa.