Correio da Manhã - 15 de MaioO LUGAR DOS AVÓS É
EM CASA
Os idosos podem ajudar os netos na vida em família ao funcionarem
como elementos conciliadores
Ricardo Marques
A Confederação Nacional das Associações de Família (CONFAP) quer que o
Governo conceda mais apoio às famílias que decidem ficar com os seus
idosos em casa, optando por não os colocar em lares. "Não se trata de
subsídio-dependência, mas sim de uma questão de justiça", disse ao Correio
da Manhã Teresa Costa Macedo, da CONFAP. O argumento tem por base os
apoios concedidos para "construção, apetrechamento e pagamento dos
funcionários" dos lares que, segundo a presidente da CONFAP, "não existem
no caso das famílias que optam por ter os seus idosos em casa". "Para as
famílias, tudo se resume a custos", disse. De acordo com dados de 1991, os
mais recentes disponíveis no Instituto Nacional de Estatística, cerca de
30 por cento das famílias clássicas tinha pelo menos um idoso, sendo mais
frequente a presença de mulheres.
Passado e futuro
Com o oitavo Dia Internacional da Família a ser dedicado este ano "às
oportunidades e desafios" do envelhecimento, as Nações Unidas lembram que
as famílias, "de graça, prestam aos idosos cuidados e assistência". "Os
idosos são intermediários entre o passado, o presente e o futuro",
sublinha o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. E há cada vez mais idosos
no Mundo e muitas vezes a preocupação excessiva que os Governos demonstram
em relação às famílias nucleares clássicas - pais e filhos - acaba por
deixar de fora os mais velhos, e toda a sua experiência. "Isso está
errado. Os netos precisam dos seus avós para actuarem como conciliadores",
defende o presidente do Centro de Orientação Familiar (CENOFA). A opção
entre a saída para um Lar e a permanência do idoso em casa surge, a dado
momento, em quase todas as famílias. "O interessante seria que houvesse
uma intervenção política para que as pessoas idosas pudessem permanecer na
família", considera D. António Monteiro, Bispo de Viseu e presidente da
Comissão Episcopal da Família.