Correio da Manhã - 16 de MaioMÉDIA DE FILHOS POR
MULHER ESTÁ MUITO ABAIXO DO IDEAL
Portugal "está a atravessar um gravíssimo inverno demográfico". A
afirmação é de Carlos Aguiar Gomes, presidente da Associação Famílias de
Braga, para quem a diminuição do número de filhos por família portuguesa
"atingiu proporções dramáticas e terá, a médio prazo, consequências a
nível económico e social para o País". Nos últimos cinco anos, o número de
nascimentos tem vindo a aumentar ligeiramente, mas fica longe de superar a
queda registada ao longo dos últimos 30 anos. De acordo com o Instituto
Nacional de Estatística (INE), dos quase 214 mil bebés por ano na década
de sessenta, Portugal passou a contar apenas com uma média de 120 mil
nascimentos, como aconteceu na última década. Segundo Carlos Aguiar Gomes,
"para que se proceda à necessária substituição das gerações, as mulheres
em idade fértil deveriam ter, em média, 2,1 filhos, mas, actualmente, a
média de nascimentos atinge apenas 1,1, o que é manifestamente pouco,
tendo em conta a importância da família enquanto entidade básica da
sociedade, dos seus direitos e responsabilidades". De acordo com o
presidente da Associação Famílias de Braga, "as consequências desta crise
demográfica são já bem visíveis ao nível do encerramento de escolas
básicas no interior do País, onde a desertificação atinge níveis
preocupantes. Porém, dentro de alguns anos, o problema deverá propagar-se
a todos os níveis de ensino e será então necessário reequacionar a
situação dos professores, apesar de todos os constrangimentos económicos
que tal implica". Lembrando que "estamos na era do vazio e do
individualismo e que o nascimento de uma criança é, muitas vezes, encarado
como um factor desestabilizador", o responsável defende, no entanto, que
"embora o número de filhos seja uma decisão individual, o Governo tem a
obrigação de estabelecer um sistema fiscal justo e equitativo, e promover
incentivos de natureza social e habitacional que beneficiem as famílias
com mais filhos".
CARLA ESTEVES