Diário de Notícias - 11 de Maio

Palestra: é preciso racionalizar meios

O ministro da Educação, David Justino, alertou ontem para a necessidade de racionalizar os meios financeiros nos diversos níveis de ensino, a começar, desde logo, pelo ensino recorrente de adultos. "No caso do ensino recorrente é imoral o que se está a fazer", disse em declações à Agência Lusa David Justino, que participou numa conferência sobre o ensino profissional, em Oeiras.

O ministro da tutela defendeu uma política de racionalização que permita libertar meios financeiros para apoiar outras vias de ensino. Para o ensino profissional, David Justino espera encontrar um modelo de financiamento que consiga superar o fim dos fundos comunitários, que se avizinha.

"O ensino profissional tem um problema próximo que é o financiamento, mas tem um futuro necessário que é precisamente os seus conteúdos e a sua capacidade de responder às necessidades de inserção e formação profissional", concluiu o governante, após ter participado na abertura da "Jornada de Reflexão sobre o Ensino Profissional", que foi organizada pela escola profissional Val do Rio, entre outras entidades.

Segundo Joaquim Azevedo, ex-secretário de Estado dos Ensinos Básicos e Secundários em 1992 e 1993 e actualmente membro do Conselho Nacional de Educação, o ensino profissional "é o mais barato hoje em Portugal" e também "o mais eficiente".

"Cerca de 80 por cento dos alunos do ensino profissional acabam os seus cursos em três anos", justificou Joaquim Azevedo, comparando estes dados com as elevadas taxas de abandono no ensino secundário.

Um dos problemas mais graves do ensino profissional é, de acordo com o ex-secretário de Estado, o facto de a maior parte ser leccionado por entidades não estatais.

"Isso quer dizer que está ferido de morte, porque são as escolas que definem os cursos e percursos, apesar de precisarem sempre do aval do Ministério da Educação", explicou Joaquim Azevedo, apesar de considerar que a educação dos portugueses é "demasiado importante" para ser entregue só a este ministério.

Para Joaquim Azevedo, o ensino profissional tem "muito futuro" porque não especializa, não rotula nem estigmatiza os alunos e, além disso, "é mais aberto". "Talvez seja dos segmentos do ensino que está mais atento às pessoas que moram nos alunos", concluiu.

Dados revelados ontem indicam que, neste momento, funcionam em Portugal cerca de 900 instituições de ensino profissional, incluindo 160 escolas profissionais e vários centros de formação, envolvendo mais de 350 mil jovens.

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