Diário de Notícias - 13 de Maio

Realidade ou ficção?

Fátima Barros

Era uma vez um reino onde havia escolas azuis e verdes. O Rei desse país achava que as escolas verdes é que eram boas e por isso todos deviam ir para as escolas verdes; se alguém gostava de escolas azuis devia pagar para que os seus filhos as frequentassem. Assim, havia pais de meninos que gostavam de escolas azuis mas não podiam escolher uma escola azul porque esta custava dinheiro enquanto que a escola verde não custava nada.

Todos os pais pagavam impostos ao Governo, mas os pais dos meninos das escolas azuis ainda tinham que pagar para os seus filhos poderem estar na escola azul.

Neste reino havia muita gente que não estava contente.

Um dia alguém disse ao Rei que algumas escolas verdes não funcionavam bem. Nessas escolas verdes ninguém se preocupava muito em trabalhar bem porque o Governo dava sempre dinheiro à escola, a escola pagava aos professores e os pais dos meninos não tinham que pagar nada.

Nas escolas azuis já não era assim: se os pais dos meninos não estavam contentes com a escola, mudavam para outra escola azul, e aquela escola ficava sem dinheiro para pagar aos seus professores. Por isso as escolas azuis tinham que funcionar muito bem.

O Rei ficou preocupado e, reunindo os seus conselheiros, pediu-lhes para arranjarem uma solução para este problema. Os conselheiros sugeriram dar a cada escola verde uma determinada quantia por cada aluno que escolhesse essa escola. Pareceu a todos uma boa ideia.

Ao princípio nada aconteceu. As escolas verdes estavam cheias de meninos e por isso recebiam muito dinheiro.

Mas subitamente tudo mudou. Nesse Reino o número de meninos começou a decrescer em cada ano que passava. As escolas verdes e azuis passaram a ter falta de meninos.

As escolas verdes começaram então a preocupar-se muito com a qualidade do seu trabalho, senão os meninos sairiam para outra escola e eles ficariam sem o dinheiro do Governo.

Só as escolas azuis é que não recebiam nada do Governo, mas os pais dos meninos continuavam a gostar delas e por isso, muito pesarosamente, pagavam. Essas escolas tinham agora que trabalhar ainda melhor.

Mas o Rei ainda não estava contente.

Ele sabia que a ideia dos conselheiros tinha melhorado a qualidade das escolas verdes e mas, apesar disso, os pais dos meninos dessas escolas continuavam a protestar. E que fazer com os pais dos meninos das escolas azuis? E com os pais dos meninos que estavam nas escolas verdes porque não podiam pagar as escolas azuis?

Assim o Rei decidiu visitar o Reino vizinho. Nesse reino também havia escolas verdes e azuis e os pais dos meninos escolhiam livremente a escola para os seus filhos.

Todos podiam escolher a escola que queriam porque recebiam do Governo um documento que só servia para pagar a escola, qualquer que fosse a sua cor. E o Rei ficou admirado porque viu que todos estavam contentes com a sua escola, independentemente da cor escolhida.

Além disso viu que todas as escolas funcionavam bem: os professores preocupavam-se em dar boas aulas porque senão os pais escolhiam uma outra escola e esta ficava sem dinheiro para pagar a esses professores.

O Rei voltou então para o seu país e, reunindo os seus conselheiros, decretou que a partir de agora tudo seria como no reino vizinho onde cada escola verde teria que providenciar o seu sustento, tal como as escolas azuis o faziam já.

Os conselheiros, surpreendidos, inquiriram: "Majestade, e que nome daremos a esse documento?"

O Rei, após reflectir, respondeu: "E se fosse "cheque-educação"?"

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