Público - 28 de Maio

Mãe de Adolescentes Que Faltavam às Aulas Foi Libertada

Patrícia Amos, a primeira mãe inglesa a ser condenada à prisão por deixar as filhas faltarem à escola, concorda com a pena

Patrícia Amos, a mãe de família condenada a dois meses de prisão, na Inglaterra, por ter permitido que as filhas de 13 e 15 anos faltassem sistematicamente à escola, foi libertada na semana passada, depois de ter visto a sua pena reduzida para 28 dias. Numa entrevista ao "The Guardian", ontem publicada, Amos considera que, pelo menos em alguns casos, este tipo de castigo aos pais pode resultar: "Fez-me cair em mim", afirmou, acrescentando que a partir de agora zelará pelo "direito à educação" das filhas.

Amos, 43 anos de idade, passou 14 dias na prisão naquela que foi uma decisão inédita na Inglaterra - pôr atrás das grades um encarregado de educação que não cuida da assiduidade dos filhos. A sanção está prevista na lei desde há dois anos, mas não há notícia de alguma vez ter sido aplicada. Depois de ter recorrido da pena que lhe foi imposta - 60 dias de cadeia -, a mãe inglesa acabou por ver os tribunais reduzirem o castigo para 28 dias. Como já tinha cumprido metade, a saída de Amos foi antecipada. O juiz já advertiu, no entanto, que esta mãe poderá voltar para a prisão se as filhas continuarem a faltar à escola.

No Reino Unido a escolaridade é obrigatória até aos 16 anos de idade. Amos, mãe de cinco crianças, foi, ao longo de dois anos, alertada pelos serviços escolares da região de que as suas duas filhas adolescentes faltavam muito às aulas. Mas, apesar de todos os avisos, nada fez para alterar a situação. No passado mês de Setembro, a filha de 15 anos não assistiu a mais do que 29 por cento das aulas e a sua irmã de 13 compareceu a apenas 34 por cento dos tempos lectivos. O Tribunal de Banbury, na região de Oxford, considerou que as adolescentes faltavam não por serem incontroláveis, mas porque a mãe permitia que assim fosse.

"Espero que este caso sirva de aviso e mostre a todos que não estamos a brincar", afirmou à AFP Keith Mitchell, representante das autoridades da região de Oxford que estiveram na origem do processo contra Patricia Amos.

A mãe, ainda que concorde com este tipo de castigo e garanta que a fez pensar na educação que estava a dar às filhas, não poupa críticas à forma como tudo aconteceu. Na entrevista ao "The Guardian" diz: "[Depois de ter sido presa] as minhas crianças foram deixadas em casa, entregues a si próprias, e ninguém lhes disse onde eu estava. Ninguém do tribunal, ou dos serviços sociais, fez alguma coisa por estas pobres crianças com as quais, supostamente, todos estavam tão preocupados."

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