Público - 5 de Maio

Testemunhos de Professores  

"As separações influenciam sempre a vida dos alunos. E os pais têm consciência disso. Às vezes, os próprios pais vêm juntos informar-nos que vão separar-se. Há sempre nos miúdos alterações de comportamento, mesmo numa separação amigável. Há sempre uma fase de tristeza e de agitação. O período mais doloroso é aquele durante o qual as crianças não falam sobre o assunto. Quando os pais informam a escola de que vão separar-se, as crianças já podem falar sobre isso e assim sentem-se melhor. O que mais ajuda as crianças é que esta é uma situação cada vez mais frequente, há cada vez mais colegas a viver o mesmo problema."

Pascaline Perrot, directora de uma escola primária

"Entre os professores, falamos muito sobre as separações dos pais. É um assunto que nos preocupa porque há cada vez mais separações. Mesmo que os alunos não tenham problemas escolares, há sempre sinais que nos mostram que eles estão a sofrer. Alguns sentem-se culpados, outros isolam-se, outros tornam-se agressivos e insolentes. Demonstram uma grande necessidade de ser compreendidos".

Marie-Laure Baehr, directora escolar

"Às vezes apercebemo-nos das separações devido às ausências repetidas às quartas-feiras e aos sábados, quando as crianças vão passar os dias com um dos pais. Às vezes justificam-se com isso para não terem feito os trabalhos, por exemplo. Nalgumas crianças descobrimos por acaso, porque elas lidam bem com a situação. Noutras, a situação é muito visível, mesmo fisicamente: deixam de se lavar, usam roupas sujas... Outros, quando têm uma boa nota, vêm ter connosco para mostrá-la, porque em casa não há muito tempo para serem ouvidos. Às vezes, somos pais de substituição".

Céline Rigo, professora de História e Geografia

Depoimentos recolhidos pelo "Le Monde"

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