Correio do Vouga - 7 Mai 03

 APFN: quatro anos a defender os direitos das famílias

 Belmiro Pereira

 

Políticas desastrosas ao longo das últimas décadas conduziram o nosso país à actual situação: acentuada quebra da natalidade, aumento exponencial do número de divórcios. As consequências estão agora à vista. As escolas perdem alunos, as universidades têm que ser redimensionadas; todavia, estranhamente, o insucesso e o abandono escolar não diminuem; há menos crianças, mas, por incrível que pareça, cresce a delinquência juvenil. Diminui a população activa pondo em causa o futuro do sistema de segurança social; os centros urbanos tornam-se guetos de uma população envelhecida e os idosos, apesar da sua crescente importância eleitoral, vêem-se votados à solidão e ao abandono.

O remédio, está bem de ver, encontra-se na promoção e defesa da família, a pusilla respublica de que falavam os antigos, comunidade natural anterior ao Estado, essencial para a formação da pessoa. De facto, é na família que primeiro se aprendem os valores basilares da sociedade que permitem a vida civilizada: o respeito e a tolerância, o amor e a solidariedade, a justiça e a verdade, a liberdade e a responsabilidade. Querem alguns convencer-nos do contrário e, com poderosos meios ao seu dispor, fomentam o individualismo, uma mentalidade antinatalista  e a desagregação da família.

Mas também há quem tenha a coragem de se erguer contra a corrente. Foi há quatro anos que meia dúzia de casais ousaram criar a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), para defender os direitos das famílias, consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Constituição da República Portuguesa. As famílias, e mais ainda as famílias numerosas, não podem continuar a ser penalizadas no IRS, no Imposto Automóvel, no custo da água, no acesso aos bens culturais, na educação dos filhos, na protecção dos idosos.

Completou a APFN, a 22 de Abril, quatro anos de vida. E vida é coisa que lhe não tem faltado, tantas têm sido as suas iniciativas. É de elementar justiça felicitar a sua direcção pela inventiva e entusiasmo que tem posto na acção.

Agrega hoje a APFN cerca de dois mil sócios, tem delegações distritais em quase todo o país, e, mais importante, as suas propostas começam a ser aceites pela administração e pela ‘sociedade civil’ a nível nacional e local. Várias câmaras municipais adoptaram já o bilhete familiar e um tarifário da água mais justo que tem em conta o número de pessoas do agregado familiar. Dezenas de empresas celebraram já com a APFN protocolos de colaboração com vantagens para ambas as partes. Muitas e variadas acções têm sido desenvolvidas por todo o país. Para o comprovar aí está o Serão Nacional das Famílias, que celebrará o Dia Internacional da Família, no próximo dia 15 de Maio, pelas 21.00H, com conferências em todas as capitais de distrito do País bem como nas Regiões Autónomas. Em Aveiro, realizar-se-á no auditório do ISCA-UA com a presença de Barbosa de Melo, ex-presidente da Assembleia da República, Walter Osswald, director do centro de estudos de Bioética da UCP, e José Paulo Carvalho, presidente da Federação Portuguesa Pela Vida.  Todos somos convidados a participar.

Para se ser sócio da APFN, basta o casal estar à espera do seu terceiro filho, isto é, acima dos 2.1 filhos por casal necessários para se garantir a renovação de gerações. Pode-se inscrever directamente pela Internet, no site http://www.apfn.com.pt, onde diariamente, novas informações e notícias são acrescentadas. Graças à adesão da sociedade civil ao desafio colocado por esta associação, o canal de Facilidades é das áreas que sofre mais alterações, fazendo com que "Ser mais, custe menos".

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