Correio do Minho - 18 Mai 03

Famílias sem valores são vítimas da pressão do consumismo

O presidente da Associação Industrial do Minho foi ontem às Jornadas Diocesanas da Pastoral Familiar falar de "Economia na Família". Este gestor bancário defendeu a família como "célula da sociedade".
José Paulo Silva

O que leva um administrador da banca, economista e dirigente de uma associação empresarial a defender sem reservas os valores da família numas jornadas da Pastoral Familiar? "Faço parte de um casal e estou dentro da minha Igreja", explicou ontem, no Centro Apostólico do Sameiro, António Marques, o presidente da Associação Industrial do Minho, convidado a falar do tema "Economia na Família". Confessando que foi a primeira vez que tratou em público deste assunto, aquele dirigente empresarial começou por discordar de muitos seus colegas economistas ao defender a família como "célula da sociedade". Para António Marques, "a família é a escola da vida, é uma instituição por excelência". É também "uma escola de comportamentos" e "uma escola de amor".
O administrador do Banco Internacional de Crédito quase que despiu a pele de quadro influente num dos maiores grupos financeiros em Portugal para declarar que o consumismo e o materialismo colocam em perigo a instituição familiar, se não houver valores dentro dela. "A pressão de ter é enorme", constatou António Marques perante os casais que participaram nesta primeira edição das Jornadas Diocesanas da Pastoral Familiar. Acrescentou que muitas famílias acabam por endividar-se e desarticular-se quando não resistem à pressão do consumo. Porque "hoje não se compra um carro porque se precisa, nem se faz um casa porque se tem prazer nisso". Compra-se para mostrar. "Se não houver valores não há economia que resista", alertou o presidente da Associação Industrial do Minho.

PRIORIDADE PASTORAL

O Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, presente na abertura das Jornadas, manifestou o desejo de que esta iniciativa se institucionalize sempre próxima de 15 de Maio, Dia Internacional da Família. O prelado apelou a acção de casais nas paróquias e arciprestados que promovam a reflexão dos problemas que afectam a família.  "Não basta dizer que a família está em crise, é preciso intervir", declarou o Arcebispo Primaz de Braga.

[anterior]