Público - 15 Mai 03

Escola Americana Suspende Estudantes por Praxe Violenta
Por PEDRO RIBEIRO, Nova Iorque

O liceu de Greenbrook (Illinois, Midwest dos Estados Unidos da América) suspendeu uma dezena de estudantes que participaram numa praxe violenta, de que resultaram cinco feridos. A praxe foi gravada num vídeo exibido pelas televisões nacionais, que chocou a opinião pública americana. As estudantes envolvidas na praxe - todas raparigas adolescentes - podem ser expulsas do liceu, e há mesmo a hipótese de processos criminais.

Segundo a imprensa americana, todos os anos as alunas do liceu de Greenbrook (um subúrbio de classe média próximo de Chicago) organizam um jogo de futebol americano, em que as raparigas mais velhas "praxam" as colegas mais novas. Este ano a coisa correu mal: o vídeo, mostrado repetidamente nas TV americanas, mostra pelo menos uma centena de estudantes em cenas de confusão e violência.

O "ritual de iniciação" incluía as raparigas mais velhas a bater nas mais novas; a persegui-las e derrubá-las; a esfregar sangue, fezes, urina, lixo e restos de animais nas suas caras. Cinco alunas foram hospitalizadas, uma com um tornozelo partido, outra que teve de ser suturada na cabeça com dez pontos.

A praxe ocorreu fora da escola e sem autorização do liceu. A início, as autoridades do liceu disseram não ter autoridade para suspender as estudantes, mas perante o escândalo acabou mesmo por o fazer. "Isto foi devastador para a nossa escola e para a nossa comunidade", disse em conferência de imprensa Michael Riggle, director desta escola, que tinha uma reputação de prestígio. "Nunca tolerámos acções desta natureza, nem o iremos fazer agora ou no futuro."

A polícia está a ponderar apresentar processos criminais não só contra as estudantes mas também contra os pais de algumas das alunas, que terão fornecido cerveja e os detritos utilizados na praxes. Quanto aos motivos dos abusos, ainda não são claros.

Alunos entrevistados na imprensa americana contaram que a praxe ("hazing", no termo em inglês) era uma tradição anual, normalmente sem violência. A mãe de uma das agredidas disse à CNN que a sua filha foi obrigada a pôr um balde sobre a cabeça, e depois agredida com um bastão de basebol - com uma das agressoras a dizer "não é essa, não é essa, é outra p--". Um estudante disse sob anonimato à "Newsweek" que as alunas mais velhas queriam "vingar-se" das praxes do ano anterior, e que também havia casos de raparigas motivadas por "ciúmes por histórias de namorados".
 

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