Público - 17 Mai 03

Viseu é uma cidade “pensada para os carros”

 As rotundas são “anti-cidade”, dizem os Cidadãos Auto-Mobilizados.

 “Viseu é uma cidade pensada para os carros e não para os peões”. A acusação foi feita anteontem à noite por Rogério Lopes Soares, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACAM), durante uma conferência sobre a “Família na Estrada”, em Viseu.

            “Assusta-me vir a Viseu porque aqui não há ruas, só estradas! Não se pode só fazer rotundas, porque as rotundas são anti-cidade”, condenou Lopes Soares. O representante da ACAM considera que isto é dar “prevalência ao automóvel sobre o cidadão”, o que não deveria acontecer. “Uma cidade deve ser feita para as pessoas e não para os carros!”; defendeu.

Igualmente defensor convicto da existência de passadeiras de “50 em 50 metros” nas ruas mais movimentadas, Rogério Lopes Soares sublinhou que em Portugal as passagens para peões não são suficientes. No caso de Viseu, deu o exemplo da Avenida Alberto Sampaio onde alegadamente “falta uma passadeira a meio”. “Nós estamos a afastar famílias. Por exemplo, a minha mãe, que já é uma pessoa de idade, não vai ver as amigas porque pode ser atropelada”, frisou.

            Presente no debate esteve o vereador municipal Botelho Pinto que rejeitou as acusações. “Em Viseu existem passadeiras em número suficiente. Só na Alberto Sampaio existem três”, sublinhou.

            Acerca das críticas sobre as rotundas, Botelho Pinto lembrou que aí o número de acidentes é reduzido além de ser “a melhor forma de descongestionar o trânsito”: “Não me diga que pensa que são melhores os cruzamentos”; questionou.

 EN 2 e EN 229 são as “mais perigosas”

 Os números da Brigada de Trânsito indicam que as vias do distrito de Viseu onde ocorrem mais acidentes são a Estrada Nacional nº 229 (EN 229), entre Viseu e Sátão; a Estrada Nacional nº 2 (EN 2), que liga a capital de distrito a Castro Daire e a Estrada Nacional nº 234 (EN 234) entre Nelas e Mangualde. O IP5 aparece em quinto lugar e IP3 em sexto lugar.

Inês Barros, do Instituto Nacional de Emergência Medica (INEM) em Viseu, também aponta a EN 2 e a EN 229 como das mais “perigosas”. É preciso fazer alguma coisa! A quantidade de feridos graves que vamos buscar a essas duas vias é imenso. A quantidade de gente estropiada na EN 2 e na EN 229 tem de ser contabilizada”, alertou.

            A conferência, organizada pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), levantou ainda questões relativas ao comportamento dos condutores e peões, bem como da falta de responsabilidade do Estado. “É preciso que o poder deixe de ficar impune! Quando se responsabilizar o Estado, se calhar, passamos a ter políticos de primeira categoria”, sublinhou Anabela Neves, da Associação de Sobreviventes do IP3. 

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