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Jornal da Madeira -
1 Mai 05
Não há liberdade para ser mãe
João Correia, presidente regional da Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas
João Correia diz que, actualmente, se fala em muitos direitos, menos
no direito das mulheres a poderem optar por ficar em casa a tratar
dos filhos. As contingências da vida obrigam-nas a ter de trabalhar.
O ordenado do marido já não é suficiente para criar uma casa.
O presidente da delegação regional da Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas considera que a mulher actual tem cada vez menos
liberdade e direito a ser mãe.
João Correia acentua o facto de ser cada vez mais difícil para uma
mãe poder desempenhar livremente o seu papel. Na sua opinião, uma
das razões para que tal aconteça é que o papel de mãe passou a ser
secundarizado, quando comparado com o da mulher profissional.
«As pessoas relevam mais o papel da mulher profissional do que o
papel de mãe», acrescenta.
Apesar de há muito ouvir defender a necessidade de criação de
condições que permitam a conciliação entre a profissão e a vida
maternal, João Correia está convicto de que essas condições ainda
não existem.
«Fala-se muito em muitos direitos, mas não se fala no direito a ser
mãe», resume.
Embora considere que este problema afecta toda e qualquer família,
João Correia diz que, numa família numerosa, estes aspectos são
ainda mais sentidos.
As exigências económicas que um maior número de filhos implicam não
são compatíveis com a necessidade de apoio afectivo e educacional
acrescidos que uma família mais numerosa tem. Essa a razão pela qual
a Associação de Famílias Numerosas tem salientado o papel da mãe na
sociedade, defendendo que essa função deve merecer o apoio de todos,
principalmente do Estado e dos empresários, explica João Correia.
Por tudo isto, conclui que, nos dias e sociedade actuais, «a opção
por ser mãe não é uma escolha livre, mas uma questão de
sobrevivência».
Sociedade deve relevar papel materno
A sociedade tem de evoluir de modo a dar às mulheres que o pretendam
a oportunidade de serem mães de quantos filhos quiserem e puderem
tratar.
A opinião é de João Correia, presidente da delegação regional da
Associação Portuguesa de Famílias Numerosas.
João Correia frisa que, actualmente, vivemos numa sociedade carente
de crianças. Há cada vez menos nascimentos. Situação que, no seu
entender, decorre do facto de as mulheres, hoje, serem obrigadas a
ir trabalhar, essencialmente por questões económicas. «Hoje em dia,
uma mulher só pode permitir-se ficar em casa para dar assistência
aos filhos se o cônjuge tiver um bom ordenado ou rendimentos»,
explica. Ora, no seu entender, a educação dada nas escolas não se
coaduna com a que deve ser dada em casa, e as mães têm cada vez
menos tempo para estarem com os filhos. João Correia é de opinião
que esse acompanhamento maternal é de vital importância para o
desenvolvimento de crianças saudáveis, felizes e emocionalmente
equilibradas e para a diminuição do número de marginais e
delinquentes. Questões que considera fundamentais e que se reflectem
na sociedade.
Anete Marques Joaquim
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