É longa a história de cada
Família! Tão longa, que as suas mais profundas raízes mergulharam
num passado cuja memória se perde na história do tempo! Todas as
famílias têm o seu passado. As suas raízes. Delas brota a seiva do
exemplo, memórias de virtudes e de defeitos também. Delas, o
presente de cada Família, recebe a missão de transmitir ao futuro o
presente que deve preparar aquele. Os ramos da árvore de cada
Família renovam o passado, promessas de futuro. Abertos ao tempo que
há-de vir, os filhos – ramos espraiados ao sol da vida – estão
profundamente unidos, indissociavelmente unidos, a seus pais e a
avós. Como estes, alimentam-se e revigoram-se no Amor que circula
desde as raízes ao longo do tempo e que o tempo não pode esmaecer.
Pelo contrário, urge que Pais e Avós sejam capazes de testemunhar um
Amor forte, permanentemente reconstruído e transmitido. Só amando se
pode dizer o que é o Amor! E o Amor é circulante tal como a seiva
das árvores: ascendente e descendente. Esta dupla circulação do Amor
reforça, porque alimenta, a vida dos indivíduos na Família. O Amor,
assim, não é mero símbolo poético, mais ou menos irreal. O Amor,
seiva em movimento, é vivo e só tem sentido quando vivido numa
dinâmica de renovação, que se adapta sem deixar de ser o que, na
realidade, é: alimento que se dá e se recebe. O Amor é construído no
quotidiano das “coisas” simples e, quantas vezes não visíveis, tal
como a simplicidade da seiva bruta que pouco ou mais transporta do
que água e sais minerais. Numa árvore não vemos a seiva, sem a qual
ela não vive, tal como nas Famílias o Amor tem de existir mesmo sem
dar nas vistas, sem a exuberância de gestos e atitudes. O Amor, na
Família, é como silencio que fala ou voz ou gosto discretamente
presentes.