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Público -
11 Mai 05
Resultados dos alunos do 9º ano a Matemática pouco satisfatórios Mais
do que na Língua Portuguesa, é a Matemática que se revelam as
maiores fragilidades dos alunos no final de cada ciclo do ensino
básico. A resolução de problemas é um dos principais pontos fracos.
A Português, é difícil aos estudantes compreender o que não está
explícito no texto. O relatório nacional relativo às provas de
aferição está agora disponível na Internet e o cenário que traça não
é muito animador. Por Isabel Leiria
Mais de metade das perguntas (52 por cento)
contidas nas provas de aferição de Matemática do 9º ano realizadas
em 2004 ficaram por responder ou tiveram respostas erradas. Em
quatro temas testados, apenas na área dedicada às funções se
registou um desempenho global positivo. Os exercícios que envolvam
números e cálculos, e ainda a geometria, são os que mais
dificuldades parecem causar. Sobretudo se as competências requeridas
passarem pela resolução de problemas e raciocínio.
Em termos globais, são estas algumas das conclusões que se podem
retirar sobre os conhecimentos e competências demonstradas a
Matemática pelos 93.603 alunos que, no passado ano lectivo,
realizaram as provas de aferição do final do ensino básico. Um ano
depois de terem sido feitas e a uma semana de os estudantes dos 4º e
6º anos voltarem a ser chamados, o relatório nacional relativo a
estes três níveis de ensino foi disponibilizado na Internet (www.des.min-edu.pt).
E permite confirmar que, no 9º ano, as fragilidades mantêm-se.
Acrescem as percentagens "demasiado elevadas", tanto a nível global,
como por temas e competências, de respostas não dadas ou mal
respondidas, alerta o relatório elaborado por uma equipa da
Direcção-Geral de Desenvolvimento e Inovação Curricular do
Ministério da Educação. E é por isso que se conclui que o desempenho
global "está longe de atingir valores satisfatórios".
A Língua Portuguesa, a outra disciplina sujeita a provas de aferição
e que contou com 95.344 estudantes, os resultados diluem-se mais e é
no nível intermédio - formulações que se aproximam mais ou menos do
correcto - que se situam uma em cada três respostas. Ainda assim, 11
por cento das perguntas ficaram em branco, 25 por cento foram mal
respondidas e 31 por cento tiveram a pontuação máxima.
Mas mais importante do que a distribuição global dos desempenhos -
divididos entre máximo, intermédio, não responde e zero (para
respostas incorrectas) - é a análise por áreas temáticas e
competências. É a partir daqui que as escolas poderão analisar o que
está e o que não está ser aprendido - ainda que só agora comecem a
receber de volta os testes corrigidos dos seus alunos e os
resultados globais estejam a ser apresentados. E que o Ministério da
Educação deverá decidir quais as apostas que têm de ser feitas a
nível curricular.
Dificuldades na resolução
de problemas e raciocínio
Por temas, e no que respeita à Matemática, a análise dos resultados
demonstra grandes fragilidades nos exercícios relativos aos números
e cálculos, com 60 por cento de respostas erradas e por dar e o
número mais baixo de desempenhos máximos (30 por cento). "Apesar de
ser considerado aquele em que os alunos estão mais treinados, os
resultados revelam que, em qualquer das competências analisadas, o
desempenho é insuficiente", lê-se no relatório.
A partir de um dos exercícios que obtiveram apenas um por cento de
respostas totalmente correctas, os autores dizem que "os resultados
traduzem bem a dificuldade que os alunos sentem nas questões que
envolvem a aplicação de estratégias de resolução de problemas e
esquemas de raciocínio com alguma elaboração".
O relatório sugere ainda que os alunos "podem ter dificuldade de
compreensão da situação e ou incapacidade de explicar, de forma
coerente, o raciocínio a seguir para a resolução do problema
proposto".
Mas nem todos os exercícios se revelam assim tão complicados e de
cada vez que os alunos são chamados a testar a sua competência em
termos de conhecimento de conceitos e procedimentos, tudo corre
melhor. Com metade destas perguntas correctamente respondidas, os
desempenhos são classificados como "satisfatórios".
Já a resolução de problemas e o raciocínio são as competências que
estão a apresentar maiores insuficiências (62 por cento de respostas
erradas e não respostas). A comunicação - expressar os raciocínios
matemáticos feitos - também está longe de ser o ponto forte dos
alunos portugueses.
A Português, das três áreas testadas, é sobretudo o conhecimento
explícito da língua que causa mais problemas: mais de metade de
respostas incorrectas ou não dadas. Também é difícil aos alunos
expressar opiniões fundamentadas ou compreender informação que não
está explícita no texto, muito provavelmente porque obriga ao
"raciocínio dedutivo, com recurso a conhecimentos e experiências
prévias". Já em 2003 tinha sido assim.
Quanto à expressão escrita, os resultados são melhores, mas não
passam do razoável. Por exemplo, no que respeita à riqueza do
vocabulário, 74 por cento dos alunos conseguem comunicar, embora
utilizando palavras simples e com confusões pontuais.
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