Diário de Notícias da Madeira- 14 Mai 05

 

Trabalho dos pais afecta crianças

 

Famílias monoparentais portuguesas são as que mais trabalham na UE 15

 

Portugal é um dos países da União Europeia (UE 15) onde as famílias monoparentais mais trabalham a tempo inteiro o que as obriga a recorrer a serviços de guarda das crianças, criando-lhes sentimentos de culpa, revela um estudo.

 

Elaborado pelas sociólogas Joana Vaz Pereira e Maria Luísa Toledo Gomes, o estudo Comparativo das Políticas Familiares na Europa dos 15 entre 1990-2004, será apresentado hoje em Lisboa durante o II Serão Nacional da Família

 

O Serão, promovido pela Associação Nacional de Famílias Numerosas, visa assinalar o Dia Internacional da Família que se celebra amanhã. .

 

Segundo o estudo, Portugal, Finlândia e França são os três países da chamada Europa dos 15 em que os pais de famílias monoparentais mais trabalham em regime de "full-time".

 

Foram analisados os casos de Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Espanha, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Suécia e Reino Unido.

 

Para aqueles pais, a flexibilidade do horário de trabalho pode ser um elemento amigo ou inimigo da família.´~

 

Quanto mais elevadas forem as qualificações e os rendimentos, mais a flexibilidade do horário serve como um instrumento de apoio à família.

 

 De acordo com o estudo, quando os salários são mais baixos a mesma flexibilidade do horário de trabalho torna-se inimiga da família, uma vez que muitas vezes corresponde a horas atípicas de trabalho e a obstáculos de acesso ao trabalho por parte dos pais.

 

Nestas situações, os pais reduzem as suas horas de trabalho de modo a evitar os elevados custos da guarda das crianças.

 

Para todos os pais cujas qualificações e rendimento se encontram abaixo da média, os serviços formais de guarda de crianças (creches ou infantários) a baixos preços e ou os serviços informais de guarda de crianças são fontes decisivas para acederem ao trabalho.

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